O uso de ferramentas de inteligência artificial está em alta nos Estados Unidos, mas a confiança do público não acompanha esse crescimento. Uma pesquisa recente da Quinnipiac University revela um cenário contraditório: mais pessoas utilizam IA no dia a dia, mas a maioria ainda desconfia dos resultados gerados.
Segundo o levantamento, que ouviu cerca de 1.400 americanos, 76% afirmam confiar pouco ou apenas ocasionalmente nas respostas fornecidas por sistemas de IA. Apenas 21% dizem confiar na tecnologia na maior parte do tempo, evidenciando um gap significativo entre adoção e credibilidade.
Adoção aumenta, mas percepção segue negativa
Mesmo com a desconfiança, o uso de IA continua avançando. Apenas 27% dos entrevistados disseram nunca ter utilizado ferramentas do tipo, uma queda em relação aos 33% registrados em 2025. A tecnologia já faz parte de atividades como pesquisa, produção de textos, projetos profissionais e análise de dados.

O dado mais revelador está na contradição: 51% dos entrevistados usam IA para pesquisa, mas poucos consideram os resultados confiáveis. Esse comportamento sugere uma relação pragmática, em que a tecnologia é útil, mas ainda vista com cautela.
Entre os principais usos da IA apontados na pesquisa estão:
- Pesquisa e busca de informações;
- Produção de textos e conteúdos;
- Apoio em atividades de trabalho;
- Análise de dados;
- Tarefas acadêmicas.
Preocupações superam o entusiasmo
O estudo também mostra que o entusiasmo com a inteligência artificial é limitado. Apenas 6% dos entrevistados disseram estar muito animados com a tecnologia, enquanto 62% afirmam não estar empolgados ou estarem pouco interessados.

Quando o assunto é preocupação, os números se invertem. Cerca de 80% dizem estar muito ou moderadamente preocupados com os impactos da IA. Entre os mais apreensivos estão millennials e baby boomers, com a geração Z logo atrás.
Essa percepção negativa também aparece na avaliação do impacto da tecnologia no cotidiano. Mais da metade dos entrevistados acredita que a IA trará mais prejuízos do que benefícios em suas vidas diárias, enquanto apenas um terço vê efeitos positivos predominantes.
Infraestrutura de IA também enfrenta resistência
Outro ponto relevante da pesquisa envolve a infraestrutura necessária para sustentar o avanço da IA. A construção de data centers, essenciais para operar modelos avançados, enfrenta forte rejeição pública.
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Cerca de 65% dos entrevistados disseram que não gostariam de ter um centro de dados instalado em suas comunidades. Entre as principais preocupações estão o alto consumo de energia elétrica e o uso intensivo de água, fatores que impactam diretamente o custo de vida e o meio ambiente.
O cenário indica que, apesar do avanço tecnológico, a aceitação social da inteligência artificial ainda depende de fatores como transparência, segurança e impacto ambiental.
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