Veja como será o futuro bombardeiro nuclear dos Estados Unidos

Veja como será o futuro bombardeiro nuclear dos Estados Unidos

A Força Aérea dos Estados Unidos acelerou o cronograma de testes do B-21 Raider, seu futuro bombardeiro nuclear, ao combinar fases que tradicionalmente ocorrem separadamente e, pela primeira vez, colocar um piloto operacional ao lado de um piloto de testes logo no início do programa de ensaios em voo.

Em outro marco para o programa, um piloto de testes operacional voou recentemente o bombardeiro com um piloto de desenvolvimento compartilhando a cabine, numa mudança que evidencia a pressão do Pentágono para encurtar etapas de avaliação de sistemas considerados críticos para a segurança nacional.

Testes do bombardeiro começaram bem

  • Normalmente, os testes de aeronaves militares seguem uma sequência bem definida antes da entrada em serviço;
  • Primeiro, vêm os testes de desenvolvimento, conduzidos por pilotos de testes para verificar a integridade estrutural da aeronave, suas características aerodinâmicas, o desempenho e os sistemas de engenharia;
  • Só depois ocorre a fase de testes operacionais, quando pilotos operacionais avaliam a eficácia de combate, a adequação e a capacidade de sobrevivência do avião em ambientes de ameaça realistas, com tripulação formada por militares que representariam os usuários finais do sistema;
  • O que está inquietando o Pentágono, porém, é justamente o tempo exigido por esse processo, que historicamente pode levar meses ou até anos;
  • Diante do cenário geopolítico atual, há forte pressão para comprimir ao máximo as etapas de desenvolvimento e testes.

A mais recente rodada de ensaios contou com um piloto operacional do Air Force Operational Test and Evaluation Center, o AFOTEC, da Detachment 5, no cockpit ao lado de um piloto de testes de desenvolvimento da Air Force Test Pilot School.

Essa antecipação da integração entre testes operacionais e de desenvolvimento faz parte de um esforço mais amplo de modernização que também inclui o míssil balístico intercontinental Sentinel e o caça de nova geração F-47.

Uma nova diretriz determina que líderes da Força Aérea priorizem a alocação de recursos e removam ativamente obstáculos burocráticos e administrativos para manter os programas dentro do cronograma.

Ao unir os testes de desenvolvimento e operacionais em uma fase mais precoce, o feedback dos pilotos operacionais pode ser repassado quase em tempo real à contratante principal, a Northrop Grumman, permitindo corrigir problemas antes que exijam adaptações caras ou modificações posteriores.

“Colocar um membro da avaliação operacional no assento do piloto com um graduado da Air Force Test Pilot School no outro lugar. Na história dos testes modernos, nunca fizemos isso tão cedo em um programa”, afirmou o coronel Matt Guasco, comandante do AFOTEC Det. 5.

Tradicionalmente, os testes de desenvolvimento verificam se uma aeronave atende às especificações técnicas e voa com segurança, enquanto os testes operacionais são conduzidos separadamente e muito mais tarde para determinar se a plataforma é eficaz em combate, adequada e sobrevivente nas mãos do combatente.

A transição direta para um ambiente combinado de testes de desenvolvimento e operacionais elimina a lacuna entre garantir que um jato simplesmente funcione e assegurar que ele esteja pronto para o combate.

O general Dale White, portfolio manager direto da Department of War para sistemas de armas críticos de grande porte, disse que a integração dos testes no programa do B-21 “exemplifica a cultura de aquisição que estamos instilando em toda a força”.

“É uma mentalidade mais inteligente e mais rápida que aproveita ferramentas modernas de produção e teste com o senso de urgência adequado, urgência que desafia processos antigos e nos move para um sistema de aquisição mais ágil”, afirmou White.

General discursa para membros da Força Combinada de Testes Raider
O General da Força Aérea Dale White, gerente de portfólio de reporte direto do Departamento de Guerra para sistemas de armas críticos, discursa para membros da Força Combinada de Testes Raider – Imagem: Kyle Brasier/Força Aérea dos EUA

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White é responsável pelos sistemas de armas considerados mais críticos para a segurança nacional, entre eles Sentinel, F-47, B-21 e Collaborative Combat Aircraft. O 412th Test Wing atualmente testa o B-21 e o CCA.

“No caso do Raider”, disse White, “isso significa que estamos agora muito mais perto de colocar letalidade assimétrica nas mãos do combatente”.

Com a chegada, no verão estaduniense passado, de um segundo B-21 à base aérea de Edwards, o Raider Combined Test Force passou da fase inicial de verificação do desempenho de voo para etapas críticas de integração de sistemas de missão e armas.

“Trazer testadores operacionais para a equipe tão cedo neste ponto do programa agora significa que podemos avaliar a verdadeira utilidade de combate do bombardeiro, e não apenas suas características de voo”, disse o tenente-coronel Matthew Gray, comandante do 420th Flight Test Squadron e diretor do Raider CTF.

O Raider CTF em Edwards é composto por militares e civis da Força Aérea vindos do 420th Flight Test Squadron, do AFOTEC Det 5 e do 31st Test and Evaluation Squadron, da 53rd Wing, além de parceiros da indústria da Northrop Grumman.

Em uma reunião com a equipe do Raider CTF em 8 de junho, White ressaltou o peso estratégico da aceleração dos testes e deixou clara a gravidade da missão. “Há três programas dos quais o futuro da nossa nação depende: Sentinel, B-21 e F-47”, disse ele à equipe. “Essas são as capacidades às quais nossa nação recorrerá em sua hora mais sombria.”

White incentivou os integrantes da equipe a saírem da formação e se reunirem ao redor dele para uma conversa franca. Na ocasião, destacou duas prioridades centrais para o B-21: garantir que o programa receba os recursos corretos e evitar que processos burocráticos sobrecarreguem a equipe de testes.

“Eu não vou ser imprudente e dizer para ir mais rápido”, afirmou. Em vez disso, perguntou diretamente: “Como posso limpar o caminho?”

Segundo ele, parte desse esforço exige uma mudança cultural. White enfatizou a necessidade de demonstrar “urgência com propósito, urgência com significado”, reconhecendo que não haverá dias fáceis daqui em diante. Ele conclamou a força de trabalho do Raider a ampliar limites, desafiar processos e desafiar a cultura.

“Eu farei o mesmo”, disse. “E nós, no Pentágono, operaremos com a mesma urgência que estamos pedindo a vocês.”

Questionado por um integrante do CTF sobre o que o tira do sono, White respondeu sem hesitar. “Eu me preocupo em não abraçarmos a urgência. Eu me preocupo com o fato de que palavras custam pouco. Eu me preocupo com a coragem de desafiar líderes”, disse.

Ao encerrar suas observações, White lembrou a equipe do tamanho da responsabilidade envolvida e demonstrou confiança em sua capacidade.

“Eu não gostaria de colocar essa missão nas mãos de mais ninguém”, afirmou. “Vocês são o melhor que esta nação tem a oferecer e, quando os liberarmos com urgência, fundada sobre significado e propósito, então nenhum adversário terá chance.”

O B-21 Raider, com sua capacidade de ataque penetrante de longo alcance, vai se juntar ao B-52 Stratofortress, com sua enorme capacidade de carga para ataques de standoff, para formar a espinha dorsal da futura frota de bombardeiros dos Estados Unidos.

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