Veja uma galáxia satélite da Via Láctea brilhando no céu; saiba como

Veja uma galáxia satélite da Via Láctea brilhando no céu; saiba como

Galáxias satélites são aquelas que orbitam uma galáxia de tamanho maior, conhecida como primária, em razão da interação gravitacional entre elas, de maneira semelhante ao que ocorre entre os planetas do Sistema Solar e o Sol. Em se tratando da Via Láctea, as galáxias satélites mais conhecidas são a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães.

Resuminho:

  • Galáxias anãs que orbitam gravitacionalmente uma maior são chamadas de galáxias satélites;
  • As galáxias satélites mais próximas da Via Láctea são a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães;
  • Elas são facilmente observáveis a olho nu a partir do hemisfério sul;
  • Nos próximos dias a Pequena Nuvem de Magalhães estará ainda mais fácil de ser vista, já que vai atingir o ponto mais alto no céu noturno.
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A Pequena Nuvem de Magalhães (mais ao topo na imagem) está mais visível no céu esta semana. – Crédito: TitleWatsa – Shutterstock

Batizadas em referência ao navegador português Fernão de Magalhães, que liderou a primeira navegação ao redor da Terra, quando elas foram observadas pela primeira vez, essas galáxias podem ser vistas somente a partir do hemisfério sul. 

Galáxias satélites mais próximas da Via Láctea, ambas são visíveis a olho nu, no entanto, há certos momentos em que elas estão mais bem posicionadas no céu noturno, facilitando a observação. E isso vai acontecer com a Pequena Nuvem de Magalhães neste fim de semana.

Galáxia satélite da Via Láctea tem papel crucial na história da astrofísica moderna

A Pequena Nuvem de Magalhães é um dos objetos astronômicos mais fascinantes do céu do Sul e exerce um papel fundamental na história da astrofísica moderna. 

Trata-se de uma galáxia anã e irregular periférica da Via Láctea, situada a cerca de 200 mil anos-luz de distância da Terra, com diâmetro aproximado de 7 mil anos-luz, visível na direção das constelações do Tucano e da Hidra, conforme explica Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital. 

Integrante do Grupo Local, essa estrutura atua como um laboratório natural para a astrofísica por abrigar bilhões de estrelas em ambiente com baixa concentração de elementos pesados, similar às galáxias dos primórdios do Universo, além de manter forte interação gravitacional com a Grande Nuvem de Magalhães e a Via Láctea.

Visão da Via Láctea com suas duas maiores galáxias satélites: a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães.
Visão da Via Láctea com suas duas maiores galáxias satélites: a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães. – Crédito: Peter Gudella – Shutterstock

“No início do século passado, a astrônoma americana Henrietta Leavitt catalogou 1.777 estrelas variáveis nas Nuvens de Magalhães enquanto trabalhava no Observatório do Harvard College, identificando que as variáveis Cefeidas seguiam um padrão constante entre o período de oscilação de brilho e a luminosidade absoluta”, explica Zurita. “Por estarem todas aproximadamente à mesma distância dentro da Pequena Nuvem, essa relação forneceu a primeira vela padrão da astronomia, permitindo determinar distâncias intergalácticas com precisão e fundamentando descobertas históricas, como a expansão do Universo demonstrada por Edwin Hubble”.

Como observar a Pequena Nuvem de Magalhães

De acordo com o guia de observação astronômica InTheSky.org, por volta da meia-noite deste domingo (4), pelo horário de Brasília, essa galáxia atinge seu ponto mais alto no céu. Nas noites subsequentes, ela culminará quatro minutos mais cedo a cada dia.

Do ponto de vista de um observador localizado em São Paulo, a Pequena Nuvem de Magalhães estará visível das 18h47 às 4h50, em torno de 25º acima do horizonte a sul, na constelação de Tucana. Embora a magnitude de 2,7 permita que a galáxia seja vista a olho nu, a visualização fica bem melhor através de um par de binóculos.

Para saber as coordenadas referentes à sua localidade, você pode consultar aplicativos como o Star Walk, Stellarium ou SkySafari.

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