Lançado em dezembro de 2023 para expandir o universo de Avatar, o jogo Frontiers of Pandora acabou voando abaixo do radar de muitos jogadores. Além de chegar na reta final do ano, o título da Massive Entertainment foi ofuscado por gigantes daquele período, como o imparável Hogwarts Legacy, um novo Zelda e o aclamado Baldur’s Gate 3.
Na época, mesmo para fãs da franquia criada por James Cameron, era fácil deixar Pandora para depois. Junto com o preço salgado de lançamento, outro ponto que dividiu opiniões foi a decisão de trazer o jogo exclusivamente em primeira pessoa. Embora a proposta tivesse sua lógica em termos de imersão, ela não agradou a todos que apostaram no game logo de cara.
Por aqui, tive a chance de testá-lo na época, e isso não foi ruim. A experiência era divertida, mas claramente tinha espaço para crescer. Agora, em janeiro de 2025, dar uma nova chance para Frontiers of Pandora se mostra uma decisão ainda mais acertada, e foi o que fiz ao testar um novo conteúdo do game.
Aproveitando o embalo da estreia bilionária do filme Avatar 3: Fogo e Cinzas, a Ubisoft lançou a expansão From the Ashes, que, como o próprio nome indica, expande os eventos apresentados no longa. Mais do que isso, a atualização também trouxe um modo em terceira pessoa para todo o jogo — incluindo a campanha base — oferecendo uma nova perspectiva que deixa o gameplay mais fluido, visualmente impactante e, em muitos momentos, mais divertido.
Além de revitalizar um game que já era divertido, a atualização também escancara algo que já é comum nos dias de hoje: está cada dia mais difícil defender a compra de jogos AAA no lançamento. Além do preço cair com o passar dos meses, títulos de grande porte estão mais propensos a receber melhorias ao longo do tempo.
Modo em terceira pessoa dá nova vida ao jogo de Avatar
Embora jogar em primeira pessoa tenha suas vantagens, como na imersão, o universo de Avatar parece feito sob medida para ser explorado em terceira pessoa. A nova câmera amplia a leitura do mapa, valoriza a verticalidade dos cenários e ressalta a direção de arte exuberante de Pandora, aproximando a experiência de jogos que apostam forte em world building, como a franquia Horizon.
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A exploração ganha um brilho especial nesse novo formato. Caminhar pelas florestas bioluminescentes ou sobrevoar o mapa montado no seu ikran se torna mais prazeroso e cinematográfico. Durante minha experiência com a expansão, passei longos minutos apenas voando, planando e me jogando em quedas livres, algo que ajuda a reforçar a sensação de pertencimento ao mundo criado por James Cameron.
Ver o Na’vi em ação, em vez de apenas “sentir” seus movimentos, cria uma imersão diferente — e igualmente poderosa. Nem tudo nessa experiência, porém, é perfeito, com grandes espaços para melhorias.
Fica claro que o jogo não foi originalmente concebido para essa perspectiva. Algumas animações ainda parecem rígidas, fazendo com que o protagonista de mais de dois metros de altura se mova como um “bonecão” em certos momentos. Além disso, interações específicas, como natação, forçam a câmera de volta para a primeira pessoa, evidenciando que ainda falta um polimento mais cuidadoso. São arestas que podem — e devem — ser ajustadas em patches futuros.
Expansão From the Ashes mostra o outro lado dos filmes
Se o modo em terceira pessoa já é um excelente convite para revisitar Frontiers of Pandora, a expansão From the Ashes funciona como a cereja do bolo da experiência atual. Para quem saiu do cinema curioso para conhecer melhor o clã Mangkwan, o conteúdo adicional é praticamente obrigatório.
A expansão coloca o jogador no controle de So’lek, um guerreiro Na’vi atormentado pelo passado, que acorda para encontrar seu mundo em chamas e sua família Sarentu espalhada após uma emboscada brutal da RDA em aliança com o clã das Cinzas. Movido por vingança e pela tentativa de encontrar paz interior, So’lek precisa proteger seu povo e seus aliados enquanto enfrenta essa nova ameaça — liderada pela implacável Varang.

O grande mérito de From the Ashes está em expandir aspectos que os filmes apenas sugerem. Mesmo com mais de três horas de duração, Avatar: Fogo e Cinzas não aprofunda tanto o poder destrutivo do clã Mangkwan.
No jogo, isso fica explícito: a Floresta Kinglor, antes vibrante e viva, surge devastada por incêndios, estruturas metálicas da RDA e cicatrizes ambientais que reforçam o peso narrativo da história. Temos também a chance de conhecer mais membros do clã e todo o seu poder destrutivo.
Além do enredo, a expansão também traz novidades de gameplay, como melhorias no combate corpo a corpo, finalizadores mais brutais, progressão otimizada e embates contra chefes mais elaborados. Há ainda novos inimigos — tanto humanos quanto pandorianos — e ajustes na mecânica de voo com o ikran, deixando as batalhas aéreas mais dinâmicas e perigosas.
O grande problema acaba ficando, justamente, na qualidade do novo filme de James Cameron. Apesar de expandir a história e trazer conexões, o jogo não conta com a presença de personagens importantes do filme, incluindo a vilã Varang, que merecia ganhar algum espaço na mídia interativa.
Avatar é a prova de que vale a pena esperar para jogar certos jogos
Com cerca de 20 horas de conteúdo, From the Ashes reforça uma sensação cada vez mais comum na indústria: comprar jogos no lançamento nem sempre é a melhor escolha. Enquanto o game base já era competente em 2023, a versão atual, mais polida, completa e recheada de conteúdo, entrega uma experiência significativamente superior.

Outro ponto que pesa a favor da paciência é o preço. No lançamento, Avatar: Frontiers of Pandora chegou a custar R$ 329,90 no PS5. Hoje, o jogo base pode ser encontrado por cerca de R$ 100, enquanto a edição que inclui a expansão From the Ashes gira em torno de R$ 200, tornando o custo-benefício muito mais atraente.
Tanto o jogo base quanto a expansão também estão disponíveis no Ubisoft+ Premium no PC, assinatura que custa R$ 60 e dá acesso a todo o conteúdo, além de outros títulos da publisher. A opção especialmente interessante para quem quer aproveitar as férias ou experimentar o universo de Pandora sem investir no preço cheio.
No fim das contas, Avatar: Frontiers of Pandora é um ótimo exemplo de que a tecnologia evoluiu tanto que muitos jogos, atualmente, envelhecem melhor com o tempo. E, nesse caso, Pandora nunca pareceu tão viva, mesmo quando reduzida às cinzas.