Uma nova e grave vulnerabilidade foi encontrada no 7-Zip, um dos mais utilizados programas para descompactar arquivos. Rastreada como CVE-2026-14266 e com um alto nível de perigo, a falha permite que cibercriminosos assumam o controle de computadores, executem códigos maliciosos e até instalem ransomware.
O problema foi descoberto pelo pesquisador de segurança Landon Peng, da Lunbun LLC, e serve de alerta para quem tem o software instalado em suas máquinas. Diferente de outras vulnerabilidades comuns, o 7-Zip atua mais como um motor para executar o malware do que um receptor para eles.
A questão reside em uma deficiência do software em ler corretamente arquivos compactados no formato XZ propositalmente formatados de maneira errada. Quando a vítima baixa esses arquivos compactos e começa o processo de extração, a brecha no 7-Zip transforma o arquivo e dispara a armadilha do malware.
O grande risco está no nível de acesso que a ameaça ganha. Ao explorar a falha, o código do invasor é executado com os mesmos privilégios da pessoa que está logada na máquina. Se a vítima tiver acesso de administradores, o malware pode instalar softwares, alterar configurações, roubar credenciais e até mesmo preparar o terreno para criptografia via ransomware.

Golpes desse tipo geralmente começam por meios de estratégias de phishing, via emails ou sites falsos. É comum receber emails e mensagens em tom de urgência, que exige uma determinada ação da vítima – como baixar um arquivo compacto que supostamente contém uma conta bancária, proposta de emprego e afins.
Quando o buffer estoura
Em seu relatório técnico, Peng aponta que a brecha do 7-Zip é descrita como um “estouro baseado em heap”. Basicamente, o ataque ocorre quando o software manuseia incorretamente os arquivos XZ divididos em blocos, chamados de chunked data. É como se o arquivo estivesse bem organizado em várias subdivisões.
Quando a vítima realiza o download e pede para o programa extrair o arquivo, o 7-Zip reserva um espaço específico na memória do PC, chamado de buffer, para realizar essa tarefa. Porém, o arquivo XZ baixado foi propositalmente modificado, então o 7-Zip acaba recebendo um volume de dados muito maior do que o esperado.
É assim que acontece o estouro daquela memória reservada e os dados excedentes começam a invadir inúmeros espaços, corrompendo a memória. Nesse processo, o malware insere suas ordens maliciosas e como o computador está “bagunçado”, ele aceita os comandos de maneira arbitrária.

Este é um caso clássico de como uma vulnerabilidade relativamente simples pode trazer consequências devastadoras. Como o 7-Zip é um software ordinário, simples e de uso cotidiano, ele passa totalmente despercebido como uma espécie de vetor de malware e pode permitir a execução de golpes mais elaborados, como o próprio ransomware.
Como se proteger dessa brecha?
A desenvolvedora do 7-Zip já lançou a correção para a vulnerabilidade CVE-2026-14266 e solicita que todos os usuários atualizem o software para a versão 26.02 ou superior. Com a instalação desse patch, a brecha não será mais um problema para empresas ou usuários normais.
A principal recomendação geral, para todos os utilizadores, é evitar baixar e extrair arquivos compactados de remetentes desconhecidos. Equipes de TI devem educar os colaboradores de empresas sobre os riscos em abrir arquivos desconhecidos, mesmo que tenham extensões comuns, como o .rar.
Por falar em malwares pesados, um novo vírus chamado de ClickLock consegue travar o funcionamento de computadores da Apple até que o usuário forneça sua senha. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.