O Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) de 2026 já está em fase de declaração, momento em que brasileiros que se enquadram nas categorias obrigatórias precisam preencher e enviar toda uma documentação. E, para além de estatísticas e dados cruzados, a Receita Federal usa também mecanismos tecnológicos menos convencionais para analisar cada caso.
Já há alguns anos, o órgão faz um cruzamento de informações que inclui analisar redes sociais para conferir se o padrão de vida aparente de pessoas nessas plataformas digitais é compatível com a renda declarada.
Casos em que pessoas ostentam bens de luxo e viagens internacionais frequentes, por exemplo, podem não coincidir com uma declaração de IRPF que mostre poucas posses ou um salário incompatível com o padrão de vida.
Nesses casos, é possível que a Receita Federal até abra uma investigação mais aprofundada em busca de eventuais fraudes.
Como a Receita Federal sabe que eu estou ostentando?
Em nota enviada ao TecMundo, a Receita Federal confirmou que pode realizar a checagem de redes sociais. A companhia apontou que "conta com equipes de gerenciamento de risco, planejamento e inteligência que fornecem informações para as equipes" que realizam as fiscalizações propriamente ditas.
"Quaisquer informações encontradas que demonstrem discrepâncias entre os rendimentos reais e os declarados podem ser utilizadas para subsidiar a abertura de procedimentos de fiscalização", diz o comunicado.

Em outras palavras, o órgão pode consultar postagens públicas em perfis de redes sociais (como Instagram e TikTok, onde pessoas costumam postar fotos e detalhes pessoais) em busca da chamada "incompatibilidade patrimonial”.
O g1 detectou que esse recurso de inteligência já existe ao menos desde 2017, quando dois mil desses "contribuintes-ostentação" foram flagrados exibindo bens que não constavam nas declarações.
E se eu for flagrado com essa incompatibilidade?
Ao identificar uma possível inconsistência entre as postagens e os valores indicados na declaração, a Receita Federal pode abrir um procedimento de revisão fiscal.
Nesse caso, ao ser cobrado, o contribuinte precisa comprovar a origem dos valores exibidos — como sinalizar se os bens foram recebidos por doação ou apresentar documentos fiscais e comerciais que confirmam a situação, por exemplo.
Caso não consiga fazer isso, o cidadão cai na chamada malha fina, ou seja, precisa reajustar a situação para corrigir possíveis erros, inconsistências e omissões. Não cumprir com as exigências pode fazer a declaração ser retida e, no pior dos casos, levar a pessoa a pagar uma multa ou até ser acusada de sonegação fiscal.
O que muda no IRPF 2026?
O prazo de entrega da declaração do IRPF 2026, válido para ganhos e bens de 2025, vai até às 23 horas e 59 minutos do dia 29 de maio.
As novidades para este ano incluem os seguintes elementos:
- uma nova modalidade para contribuintes de baixa renda (até cerca de dois salários mínimos por mês) que não era obrigados a declarar, mas agora podem solicitar um cashback de valores a receber, em uma restituição que chega até R$ 1 mil;
- a obrigatoriedade de declarar saldos em plataformas de apostas esportivas (bets), caso eles sejam superiores a R$ 5 mil
- um novo sistema na declaração pré-preenchida passa a emitir alertas em tempo real se detectar informações inconsistentes;
- recuperação automática de informações como pagamento (DARFs), cadastros do eSocial (como empregados domésticos), recibos do Receita Saúde e dados dos dependentes.
Como usar o recurso de declaração preenchida e agilizar a entrega do IRPF? Confira o guia preparado pelo TecMundo!