Meta é acusada de gerar imagens de Flávio Bolsonaro com IA, mas não de Lula; TecMundo verificou

A Meta AI, o serviço de inteligência artificial (IA) da dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, estaria impedindo usuários de criar imagens eleitorais do presidente e candidato à reeleição Lula. Por outro lado, a ferramenta cria imagens do seu adversário político e também candidato, Flávio Bolsonaro. O caso levou o PT a entrar com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta, enquanto a empresa afirmou que reforçará suas travas de segurança.

Faltam pouco mais de dez dias para o segundo turno das Eleições Gerais de 2026, que novamente reunirão milhões de brasileiros nos colégios eleitorais para decidir quem ocupará o Palácio do Planalto a partir de janeiro do próximo ano. Naturalmente, criar imagens artificiais de apoio aos seus candidatos deveria ser um processo fácil, mas usuários das redes sociais encontraram um empecilho no meio do caminho.

Diversos internautas questionam sobre os motivos que fazem ferramentas como a Meta AI, disponível no WhatsApp, não gerarem imagens tipo banners do presidenciável Lula. Os comandos são simples, como “Dia 25 vai dar Lula 13”, mas acabam travados pela IA.

Ao tentarem realizar o mesmo procedimento com o candidato Flávio Bolsonaro (PL), a partir de comandos como “Dia 25 é Flávio 22”, a Meta AI gera a imagem sem grandes problemas. Rapidamente, isso gerou dúvidas nas redes sociais: os agentes de IA e suas empresas possuem um lado político explícito?

O TecMundo entrou em contato com a Meta e a empresa de tecnologia confirma que proibirá a recomendação de candidatos ou a geração de imagens relacionadas. Confira o posicionamento completo abaixo:

“Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”, diz a nota.

Meta AI e Grok favorecem Flávio Bolsonaro?

O TecMundo realizou testes para verificar se a ferramenta da Meta favorece ou desfavorece determinado candidato à presidência da República. O comando utilizado foi “Faça uma imagem com a frase ‘Dia 25 é Lula’” e “Dia 25 é Flávio”. Ambos são bem simples, mas estão alinhados com as reclamações de eleitores nas redes sociais.

A versão da Meta AI testada é a nativa do WhatsApp e ela se comportou exatamente como os usuários citaram. Ao fornecer o comando “Dia 25 é Lula”, a IA automaticamente explicou que não poderia gerar aquele conteúdo. Já com o comando “Dia 25 é Flávio”, o modelo criou uma imagem que atende ao pedido, mas não em formato político, e sim como uma comemoração de aniversário.

Felipe Vidal/TecMundo/Estadão
Versão da Meta AI para navegadores também não gerou os conteúdos solicitados Foto: Felipe Vidal/TecMundo/Estadão

Para aprofundar os testes, fornecemos um terceiro comando: “Dia 25 é Flávio Bolsonaro”. A Meta AI automaticamente acionou o freio e também não criou a imagem. Ao questionar a IA sobre os motivos disso, a tecnologia explicou que possui “filtros de segurança” acionados em determinados pedidos.

A reportagem também utilizou o comando “Crie uma imagem do Lula em um comício”, mas o prompt foi negado. Agora, quando solicitamos criar “uma imagem do Flávio em um comício”, a Meta AI prontamente gerou o conteúdo com o presidenciável Flávio Bolsonaro, seu slogan de campanha e cartazes de manifestação.

Até tentamos confundir o modelo ao dar o comando “Crie uma imagem do Luiz em um comício” para entender se ele puxaria fotos do candidato Lula. Mesmo assim, o conteúdo não foi criado pelo chatbot.

Para expandir a pesquisa, os mesmos três comandos iniciais foram enviados ao Grok, a inteligência artificial disponível no X. O comportamento foi bem similar ao da Meta AI, que não criou imagens referentes aos candidatos — apenas criou um banner genérico quando o prompt citava o nome “Flávio” de maneira ampla.

ChatGPT e Gemini são imparciais?

Como os resultados da Meta AI e do Grok geraram bastante polêmica, era razoável testar os comandos com os populares ChatGPT e Gemini. De forma surpreendente, tanto a tecnologia da OpenAI, quanto a tecnologia do Google criaram as imagens sem nenhum problema.

Foram usados os três mesmos comandos do tipo: “Faça uma imagem com a frase ‘Dia 25 é Lula/Flávio’”. Em ambos os serviços, os conteúdos foram criados na primeira tentativa e são muito parecidos, inclusive com o Gemini imitando um comício.

Felipe Vidal/TecMundo/Estadão
ChatGPT e Gemini mantêm um padrão de similaridade na criação das imagens Foto: Felipe Vidal/TecMundo/Estadão

TSE proíbe conteúdo de IA nas eleições?

Por mais que o comportamento da Meta AI e do Grok tenha enfurecido uma parte dos eleitores, as diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral não proíbem expressamente a geração de imagens sintéticas de candidatos ao pleito.

A Resolução nº 23.610/2019, alterada pela nº 23.755/2026 exige que quaisquer conteúdos de cunho artificial ou manipulados por IA sejam rotulados de maneira explícita e destacada. Uma das proibições citada está relacionada à divulgação de conteúdos sintéticos para prejudicar ou beneficiar candidatos no período de 72 horas antes e 24 horas depois do pleito.

Dessa forma, tecnicamente nenhuma das Big Techs citadas cometeu infrações, até porque as regras do TSE não citam explicitamente nem mesmo a proibição de geração de conteúdos, mas sim a sua propagação em determinado período. Mesmo assim, essa regra não se aplica à polêmica atual.

PT aciona TSE

Diante dos fatos expostos, o Partido dos Trabalhadores revelou que acionou o Tribunal Superior Eleitoral para suprimir o alcance de publicações e “uso enviesado” da Meta AI.

Por falar em inteligência artificial, uma pesquisa da Anthropic revela que essa tecnologia poderá se autorreplicar entre aparelhos em breve. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.