País da Ásia propõe pena de morte para chefes de 'fábricas' de golpes online

País da Ásia propõe pena de morte para chefes de 'fábricas' de golpes online

Um novo projeto de lei apresentado em Mianmar, na quinta-feira (14), propõe pena de morte para quem sequestrar ou coagir pessoas a trabalhar em centros de golpes online. Essas instalações se proliferaram no país do sudeste asiático, mirando alvos em todo o mundo.

O texto sugere a punição máxima para as situações envolvendo "violência, tortura, prisão e detenção ilegais ou tratamento cruel contra outra pessoa com o objetivo de forçá-la a cometer golpes online". Trata-se da primeira proposta do novo governo que assumiu o país no mês passado, liderado pelo general Min Aung Hlaing.

Esquema bilionário

Também conhecidas como "fábricas" de fraudes online, essas centrais de golpes pela internet começaram a crescer na região por volta de 2021, em meio à guerra civil que assolou Mianmar. Nelas, trabalham milhares de pessoas, incluindo muitas vítimas de tráfico humano.

  • Uma dessas instalações é a KK Park, onde pessoas de diferentes países eram forçadas a trabalhar aplicando golpes online, como mostrou reportagem da DW no ano passado;
  • Esses funcionários tinham uma cota mínima de vítimas por semana e poderiam ser punidos caso não conseguissem alcançar a meta;
  • Golpes românticos e fraudes envolvendo criptomoedas estavam entre as principais práticas da instalação;
  • De acordo com informações do FBI, as centrais de fraudes online de Mianmar geraram mais de US$ 20 bilhões no ano passado, o equivalente a mais de R$ 100 bilhões pela cotação do dia.
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As fábricas de golpes online de Mianmar usam trabalho forçado para operar, segundo denúncias. (Imagem: BrianAJackson/Getty Images)

No Projeto de Lei Antifraude Online de Mianmar, também há previsão de prisão perpétua. Neste caso, a pena seria para os gerenciadores dessas instalações e os autores de fraudes com criptomoedas.

O texto menciona, ainda, a criação de um comitê para cooperar com outros países no combate às atividades ilícitas na internet, devido ao grande número de vítimas estrangeiras, tanto dos golpes quanto do trabalho forçado. A votação no parlamento deve acontecer no início de junho.

Pelo menos dois brasileiros estavam entre as pessoas forçadas a trabalhar nas centrais de golpes online do sudeste asiático. Relembre o caso nesta matéria.