A corrida corporativa para adotar inteligência artificial (IA) avança mais rápido do que a capacidade das empresas de planejar seus impactos sobre a força de trabalho. Uma pesquisa divulgada no início do mês pelo LinkedIn mostra que 50% dos executivos de alto escalão admitem não ter uma visão clara das funções e competências que suas organizações precisarão à medida que a tecnologia evolui.
O levantamento ouviu 1.252 líderes nos EUA, Reino Unido e Índia e revela que 78% deles acreditam estar avançando em IA mais rapidamente do que conseguem medir seus resultados.
Segundo o LinkedIn, o cenário expõe um “ponto cego da força de trabalho”, em que as empresas aceleram projetos de IA sem compreender plenamente como suas estruturas organizacionais precisarão mudar. Em entrevista à revista Fortune, o diretor de negócios da plataforma, Mark Lobosco, afirmou que muitas lideranças ainda estão “navegando sem um plano de ação concreto” para lidar com as transformações provocadas pela tecnologia.
Para o executivo, um dos principais desafios está na forma como as empresas conduzem a mudança. Lobosco argumentou que estratégias impostas exclusivamente pela alta administração tendem a fracassar, mas alerta que os líderes também não podem simplesmente delegar a tarefa às equipes.

“Você não pode pedir à sua equipe para fazer algo que você mesmo não sabe fazer”, afirmou. Na avaliação dele, as organizações mais bem-sucedidas são aquelas em que executivos utilizam as ferramentas de IA na prática e servem de exemplo para os funcionários.
A pesquisa também mostra que a transformação já está alterando o mercado de trabalho. De acordo com o levantamento, 82% dos executivos afirmam que suas empresas criaram novas funções ligadas à IA desde 2022. Entre os cargos citados estão engenheiros de IA, arquitetos de IA, engenheiros de implantação avançada e especialistas voltados à integração da tecnologia em processos comerciais. Apesar disso, muitos líderes ainda não conseguem projetar como será a composição de suas equipes nos próximos dois anos.
No LinkedIn, a estratégia adotada tem sido concentrar o uso da IA na redução de tarefas operacionais. Lobosco afirma que o objetivo não é transformar todos os funcionários em especialistas em IA, mas criar uma infraestrutura capaz de automatizar atividades preparatórias e liberar mais tempo para tarefas que exigem julgamento humano, criatividade e relacionamento com clientes.
Especialistas ouvidos pela Fortune apontam que o desafio vai além da tecnologia. Carolyn Dewar avalia que habilidades como discernimento, imaginação e liderança em cenários de incerteza tornaram-se mais importantes do que a simples execução de metas.
Já Eric Kelleher afirma que as empresas ainda enfrentam dificuldades para redesenhar estruturas organizacionais que passem a considerar tanto trabalhadores humanos quanto sistemas digitais. Para Lobosco, a maioria das organizações ainda está nos primeiros estágios dessa transformação e segue investindo em IA sem saber exatamente qual será o destino final da jornada.