Polícia desmantela quadrilha de investimentos falsos via WhatsApp no Brasil

Polícia desmantela quadrilha de investimentos falsos via WhatsApp no Brasil

A Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais do Rio Grande do Sul realizou nesta terça-feira (13) uma operação de larga escala com autoridades de São Paulo e Goiás. O objetivo era combater uma organização criminosa especializada em falsos investimentos.

Os suspeitos gerenciavam grupos no WhatsApp com várias vítimas em potencial, sempre prometendo investimentos com ganhos acima de valores do mercado. Na verdade, o esquema era uma forma de obter dinheiro dessas pessoas e nunca cumprir a promessa de retorno da verba aplicada.

Há indícios de que a quadrilha tenha aplicado o golpe em mais de 40 pessoas — com prejuízo superior a R$ 4,3 milhões só para uma das vítimas. O caso que motivou a investigação no RS foi a denúncia de um morador do RS que procurou a delegacia após a suspeita de fraude.

Organização complexa

A Polícia Civil do RS descobriu nas investigações que o grupo era formado por diversos criminosos, cada um agindo em um "núcleo" que cuidava de uma etapa da fraude.

  • No primeiro momento, um grupo fazia a captação das vítimas em potencial usando linhas telefônicas falsas ativadas fora do Brasil a partir de dados vazados;
  • O chip desses celulares eram ativados em massa por um suspeito conhecido como "Chinês", que atuava em São Paulo. A equipe comandada por ele incluía até golpistas situados no Camboja;
  • Os grupos do WhatsApp tinham dezenas de pessoas sob orientação do chamado "professor" — um falso especialista em investimentos dos Estados Unidos, que dizia ser dono de empresas e com formação universitária;
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Celulares foram apreendidos na operação. (Imagem: Reprodução/Polícia Civil do RS)
  • Após algumas atividades legítimas que incluíam dicas em plataformas verídicas, inclusive com suporte feito por um chatbot de inteligência artificial (IA), o grupo era direcionado a participar de investimentos em criptomoedas em um serviço falso, controlado pelos cibercriminosos.
  • Além disso, um "grupo VIP" no mensageiro prometia ainda mais ganhos para recuperar esse dinheiro, mas também envolvia depósitos sem retorno;
  • Esses valores eram enviados para empresas de fachada, usadas para lavar o dinheiro roubado. Um terceiro grupo convertia esse montante em criptoativos;
  • Outro investigado é um "empresário do ramo digital" de Goiás que depositava os valores nas empresas de fachada de forma fracionada, dificultando o rastreio e sem alertar órgãos fiscalizadores.

A chamada Operação Mirage resultou no cumprimento de 125 ordens judiciais. Elas incluem cinco mandados de prisão preventiva, 13 mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas de 85 pessoas físicas e jurídicas, apreensão de veículos e bloqueio de carteiras de criptoativos em 17 corretoras.

Os acusados podem responder por crimes como estelionato com fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

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