
A Epic Games anunciou nesta terça-feira (24) que está demitindo mais de 1.000 funcionários em todo o mundo. Em uma mensagem interna enviada aos colaboradores e posteriormente divulgada ao público, o CEO da companhia, Tim Sweeney, classificou a decisão como extremamente dolorosa, mas estritamente necessária.
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O motivo, segundo o executivo, é uma queda no engajamento de Fortnite iniciada em 2025, o que levou a empresa a um cenário financeiro insustentável onde está "gastando significativamente mais dinheiro do que está fazendo".
A nova onda de demissões em massa faz parte de um agressivo movimento de reestruturação corporativa, que inclui um corte drástico de US$ 500 milhões em custos operacionais. A tesourada atinge diretamente os orçamentos de marketing, os contratos de terceirização e resulta no encerramento de vagas que ainda não haviam sido preenchidas.
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Curiosamente, a medida ocorre em um momento de aparente bonança, logo após a desenvolvedora fechar sucessivas parcerias com gigantes do entretenimento, como Warner Bros e Marvel, e de ter anunciado o aumento no preço dos V-Bucks.
Na prática, o impacto vai além dos escritórios e chegará diretamente aos jogadores. A crise forçou a Epic a sacrificar diversos projetos do seu ecossistema, reduzindo o escopo de alguns modos de jogo e encerrando completamente outros, como Rocket Racing, Ballistic e Festival Battle Stage, previstos para sair do ar ainda em 2026.
A tempestade também atinge o mercado brasileiro de forma direta: os aclamados títulos nacionais Horizon Chase e Horizon Chase Turbo serão removidos das lojas digitais a partir de 1º de junho, poupando, por enquanto, apenas o recente Horizon Chase 2.
Fortnite perdendo fôlego e medidas impolulares
Apesar de Fortnite permanecer como um dos jogos mais bem-sucedidos e lucrativos do mundo, a Epic Games admitiu que manter o nível de expectativa do público tornou-se uma tarefa hercúlea. Sweeney foi franco ao afirmar que a empresa tem enfrentado dificuldades para entregar a "magia consistente de Fortnite" a cada nova temporada. Essa fadiga do formato se soma a um mercado que passa por uma forte transformação.
De acordo com o executivo, a crise é um reflexo de desafios que afetam toda a indústria de tecnologia e games. O crescimento do setor desacelerou drasticamente, os gastos dos consumidores estão menores e a atual geração de consoles tem registrado vendas inferiores às do ciclo passado. Além disso, os videogames hoje travam uma batalha feroz por atenção, competindo diretamente com outras formas de entretenimento digital que engajam o público de maneira cada vez mais incisiva.
Para tentar equilibrar essa balança e voltar a ter fluxo de caixa positivo, a empresa tomou medidas impopulares recentemente. A estratégia de aumentar o preço dos V-Bucks foi uma delas, mas não foi suficiente para evitar o passaralho, especialmente considerando os altos investimentos de longo prazo da companhia, que vão desde a expansão do Battle Royale para o mobile até o desenvolvimento da futura Unreal Engine 6.
Reestruturação e o "fantasma" da IA
Sempre que uma demissão em massa ocorre atualmente, especula-se sobre a substituição de mão de obra humana por inteligência artificial. Antecipando-se a essa polêmica, Tim Sweeney afastou esse fantasma. O executivo declarou categoricamente que os cortes não têm qualquer relação com a implementação de IA na empresa.
Para os profissionais afetados pela tsunami de demissões, a Epic Games prometeu um pacote de rescisão que inclui, no mínimo, quatro meses de salário base, com valores adicionais calculados a partir do tempo de casa de cada colaborador.
A empresa também se comprometeu a estender a cobertura do plano de saúde corporativo por seis meses. Além disso, as opções de aquisição de ações serão aceleradas até janeiro de 2027, e o prazo para exercício dessas opções foi estendido por até dois anos.
Indústria em alerta constante
O mais preocupante desse cenário é constatar que a história recente se repete mais uma vez. Em 2023, a Epic Games já havia cortado 830 postos de trabalho, usando uma justificativa praticamente idêntica à de hoje. Na ocasião, estúdios adquiridos pela gigante, como a Mediatonic (criadora de Fall Guys), foram alvo das baixas.
A nova rodada de cortes, que agora junta a Epic a gigantes como Microsoft, Sony, EA e Rockstar em uma cruel temporada de demissões, serve como um lembrete da atual realidade do mercado e levanta esta pergunta: será suficiente para sobreviver à tempestate ou aparecerão mais demissões em breve?
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