
A iniciativa europeia de infraestrutura de redes sociais, a Eurosky, foi lançada oficialmente nesta quinta-feira (16). Com sede nos Países Baixos, a organização promete aos usuários a propriedade total de seus dados. O objetivo é criar um ecossistema descentralizado para rivalizar com gigantes norte-americanas, como Meta e X (antigo Twitter).
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A Eurosky não é uma rede social única, mas um provedor de identidade digital. Essa infraestrutura utiliza o protocolo AT, que permite a comunicação entre diferentes aplicativos, como o Bluesky, garantindo que o usuário tenha uma conta única para navegar em todo o ecossistema.
Ao se registrar, o usuário recebe um Servidor de Dados Pessoais (PDS), um espaço dedicado onde ficam armazenados seu perfil, publicações e conexões, assegurando que o controle e a propriedade das informações pertençam ao utilizador, e não à plataforma.
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Todos os serviços da Eurosky são hospedados em nuvens europeias e governados pela legislação da União Europeia. A iniciativa é gerida pela Modal, uma organização sem fins lucrativos focada em tecnologias sociais de interesse público.
Ecossistema de aplicativos
Com a conta da Eurosky, o usuário pode acessar diferentes apps construídos sobre o protocolo AT. O portal da plataforma destaca a integração direta com a rede social Bluesky.
Além do Bluesky, o ecossistema já conta com outras opções integradas. Entre os aplicativos disponíveis estão o Flashes, focado em compartilhamento de fotos e vídeos, e o Blento, voltado para a criação de sites.
Outras plataformas incluem o Leaflet, focado em blogs, e clientes alternativos para o Bluesky, como Skywalker (para Android) e Skeets (para iOS).
Segundo o cofundador da iniciativa, Sebastian Vogelsang, a estratégia é apostar na inovação descentralizada. "Apenas num ecossistema dinâmico de inovação em redes sociais conseguimos pôr em causa o domínio da Meta, da X, da Alphabet e da ByteDance (TikTok)", afirmou o executivo.
Busca por soberania digital na Europa
O lançamento da Eurosky reflete um movimento maior de países europeus em direção à chamada soberania digital. Governos locais têm substituído softwares de empresas dos Estados Unidos por soluções de código aberto ou desenvolvidas internamente.
Na Alemanha, o estado de Eslésvico-Holsácia iniciou em 2024 a migração de 30 mil computadores da administração pública, trocando o Windows e o Microsoft Office pelo Linux e LibreOffice. O objetivo da mudança é garantir o controle estatal sobre as soluções de TI e reforçar a proteção de dados dos cidadãos.
E, no início deste ano, a França adotou uma medida semelhante em suas comunicações oficiais. O governo francês anunciou a substituição de plataformas como Microsoft Teams, Zoom e Google Meet pelo "Visio", um aplicativo de videoconferência desenvolvido pelo próprio Estado.
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