Firefox finalmente começa a usar organização do Linux desktop moderno

Firefox finalmente começa a usar organização do Linux desktop moderno

A Mozilla vai finalmente resolver uma “pendência histórica” que estava há anos a cultivar: a partir do Firefox 147, o navegador passa a adotar nativamente a XDG Base Directory Specification e, com isso, encerra um bug aberto há mais de 21 anos no Bugzilla.

O que muda

Até hoje, o Firefox guardava praticamente tudo dentro de ~/.mozilla: perfis, configurações, cache, dados variados. Funciona? Funciona. Mas também contribui para aquele carnaval de pastas ocultas diretas no $HOME, que vai contra as boas práticas modernas do desktop Linux.

Com o suporte completo ao XDG, novas instalações e novos perfis do Firefox 147 em diante passam a usar a organização padrão:

  • Configurações em ~/.config
  • Dados persistentes em ~/.local/share
  • Cache em ~/.cache

Ou seja, o Firefox finalmente se comporta como a maioria dos aplicativos atuais no Linux, seguindo o que o GNOME, KDE, outras aplicações e o próprio freedesktop.org recomendam há anos.

Se você já tem um ~/.mozilla com seus perfis, o navegador não vai sair quebrando tudo. Para evitar qualquer risco de perda de dados, o Firefox continua usando a pasta legada enquanto ela existir. A nova estrutura XDG só entra em ação para instalações novas do Firefox ou perfis novos criados com a versão 147 em diante.

Isso significa que quem está instalando o Firefox do zero já ganha a casa arrumada, mas aqueles que já usam há anos pode ir migrando com calma, ou simplesmente deixar como está, se não se importa com o ~/.mozilla.

Pode parecer um “detalhe de organização de arquivos”, mas essa mudança traz algumas vantagens bem concretas:

  • Backup mais simples: fica fácil diferenciar o que é dado importante (para salvar) do que é cache (que você pode ignorar);
  • Home menos poluída: menos pastas ocultas soltas, mais padrão entre apps;
  • Integração melhor com o desktop Linux: ferramentas de backup, limpeza e perfis de usuário já entendem essas convenções XDG.

Após duas décadas de discussões, patches, debates e duplicatas de bug, o Firefox finalmente entra no século XXI em termos de layout de diretórios e a comunidade Linux agradece.

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