França inicia a transição para o Linux no governo

França inicia a transição para o Linux no governo

A DINUM, órgão responsável pela estratégia digital do Estado francês, anunciou a substituição do Microsoft Windows por Linux nos computadores do governo. A decisão faz parte de um plano mais amplo que busca reduzir a dependência de tecnologias não europeias.

O anúncio foi feito após um seminário interministerial que reuniu diferentes órgãos do governo, incluindo entidades ligadas à segurança, compras públicas e desenvolvimento industrial. Para além de uma troca de sistema operacional, o encontro estabeleceu diretrizes para uma reorganização estrutural da infraestrutura digital do Estado.

Linux como peça de uma estratégia maior

A migração para o Linux se encaixa em uma política mais ampla de soberania digital, que envolve desde sistemas operacionais até ferramentas de comunicação, bancos de dados e infraestrutura de rede.

Um dos exemplos mais concretos vem da Caisse nationale de l’assurance maladie, que iniciou a migração de cerca de 80 mil funcionários para um conjunto de soluções locais. Entre elas estão o Tchap, voltado para comunicação interna, o Visio, alternativa nacional a plataformas como Teams e Zoom, e o France Transfert, usado para envio de arquivos.

A própria plataforma nacional de dados de saúde também deverá ser transferida para uma infraestrutura considerada “soberana” até o fim de 2026.

O ponto central da estratégia francesa é reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, especialmente em áreas críticas. A preocupação não é apenas técnica, mas política e econômica: controle sobre dados, previsibilidade de custos e autonomia sobre decisões tecnológicas.

Nesse contexto, o uso de software livre, com destaque para o Linux é a principal alternativa, por permitir auditoria de código, adaptação local e menor dependência de ciclos comerciais impostos por grandes empresas de tecnologia.

A iniciativa também dialoga com movimentos recentes do próprio governo francês, como a adoção obrigatória do Visio em órgãos públicos até 2027, já testado por dezenas de milhares de usuários.

Cada ministério terá seu próprio plano

Um dos pontos mais relevantes da proposta é a descentralização da execução. Cada ministério francês será responsável por elaborar seu próprio plano de redução de dependência tecnológica até o outono (do hemisfério norte) de 2026.

Esses planos deverão cobrir uma ampla gama de áreas: estações de trabalho, ferramentas colaborativas, antivírus, inteligência artificial, bancos de dados, virtualização e equipamentos de rede. A coordenação geral ficará a cargo da DINUM, que também pretende articular parcerias entre setor público e empresas privadas. A ideia é formar coalizões que impulsionem soluções interoperáveis, baseadas em padrões abertos.

Se bem-sucedida, a iniciativa pode servir de referência para outros países que enfrentam o mesmo dilema, como equilibrar eficiência tecnológica com autonomia estratégica em um cenário cada vez mais dependente de software.

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