A estrela do Fedora 44 é o KDE Plasma!

A estrela do Fedora 44 é o KDE Plasma!

Não se sabe se o GNOME algum dia deixará de ser a interface padrão do Fedora, mas, se a versão 44 servir como termômetro, o KDE Plasma está mais pronto do que nunca para assumir esse papel, caso isso venha a acontecer.

Nossa proposta hoje é olhar para as duas edições principais do Fedora 44, mas com um ponto que salta aos olhos logo de cara: a edição com KDE recebeu um nível de atenção que coloca o ambiente em outro patamar dentro do projeto. Ainda existem arestas, algumas bem óbvias inclusive, mas o conjunto da obra aponta para algo difícil de ignorar, provavelmente uma das melhores experiências com KDE Plasma disponíveis hoje no mundo Linux. Mas será que isso é suficiente para agradar todo mundo?

Um Fedora mais equilibrado

Quem acompanha o Fedora há algum tempo sabe que sempre existiu uma diferença prática entre a edição principal (Workstation com GNOME) e as spins com outros ambientes. No Fedora 44, essa distância diminuiu de forma significativa.

Parte disso vem de um esforço do projeto em dar mais atenção ao KDE Plasma. Não por acaso, outras variantes do Fedora também começaram a adotá-lo, o que sugere um interesse renovado no ambiente. Isso não significa uma troca iminente de padrão, mas certamente muda o peso da conversa.

Ainda que o site oficial continue destacando o Fedora Workstation com GNOME como carro-chefe, a sensação é que, pela primeira vez em muito tempo, existe um equilíbrio mais real entre as opções.

Antes de entrar nas diferenças entre GNOME e KDE, vale olhar para a base que sustenta ambas as versões.

O Fedora 44 chega com uma série de atualizações importantes no sistema como um todo. O ChangeSet da versão é extenso e técnico, mas alguns pontos merecem destaque.

O kernel Linux 6.19 deve ser a base inicial, com o Linux 7 já no horizonte por meio de atualizações futuras. Essa versão do kernel traz melhorias relevantes de compatibilidade, especialmente para hardware mais antigo, algo que nem sempre recebe tanta atenção.

Um caso interessante é o suporte aprimorado para GPUs AMD das linhas Southern Islands e Sea Islands (Radeon HD 7000 e 8000, além das séries R5, R7 e R9). Essas placas deixam de usar o antigo driver Radeon e passam a utilizar o AMDGPU, o que melhora significativamente o suporte a tecnologias modernas como Vulkan.

Isso traz ganhos reais de desempenho; testes apontam aumentos de cerca de 30% em alguns cenários. É o tipo de atualização que transforma hardware antigo em algo novamente viável. Além disso, o Fedora 44 traz versões atualizadas do Mesa (26) e drivers NVIDIA na linha 595.x, mantendo o sistema alinhado com o que há de mais recente na stack gráfica do Linux.

Instalação simplificada

Uma mudança importante, e talvez subestimada, está no processo de instalação.

Agora, instalar o Fedora com GNOME ou KDE é essencialmente a mesma experiência: poucos passos, poucos cliques, sem complicação. Simples a ponto de parecer trivial. Isso pode parecer detalhe, mas não é.

A padronização do instalador reforça a ideia de que ambas as edições têm o mesmo peso dentro do projeto. E, no caso do KDE, isso só foi possível graças a um novo fluxo de pós-instalação.

Spins, Labs e decisões curiosas

O Fedora continua sendo um projeto com muitas variações, entre spins e Labs. As spins seguem a lógica tradicional: mudar o ambiente gráfico. Já os Labs focam em conjuntos de ferramentas pré-instaladas para usos específicos.

E aqui entra uma das decisões mais curiosas do Fedora 44: o Fedora Games Lab migrou do XFCE para o KDE Plasma. A justificativa é usar o melhor que o Linux tem a oferecer para jogos. E, hoje, isso frequentemente significa KDE Plasma.

Não é um caso isolado. Outras distribuições voltadas para jogos também tratam o KDE como prioridade, incluindo projetos como Bazzite e CachyOS, além do próprio modo desktop do Steam Deck. Coincidência ou tendência?

GNOME 50: maturidade acima de tudo

Na edição Workstation, o Fedora 44 traz o GNOME 50. E não, não é uma versão que tenta impressionar visualmente. Se alguém vem do GNOME 49, as diferenças são sutis. Isso porque o foco aqui não foi inovação estética, mas refinamento. Correções de bugs, melhorias de desempenho e ajustes de usabilidade.

Pode não ser empolgante à primeira vista, mas é exatamente o tipo de atualização que fortalece a base do sistema.

Entre os destaques:

  • Suporte oficial a VRR (Variable Refresh Rate);
  • Melhor implementação de escala fracionada;
  • Melhorias no Nautilus, com carregamento mais rápido de miniaturas e renomeação em tempo real;
  • Filtros de busca mais avançados;
  • Evoluções no aplicativo de bem-estar digital.

Nada revolucionário, mas tudo muito sólido.

Por outro lado, continuam ausentes elementos que muitos usuários consideram importantes, como ícones de tray mais flexíveis ou maior controle sobre janelas e desktop. São escolhas de design já conhecidas do GNOME e que dificilmente vão mudar tão cedo.

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KDE Plasma 6.6: evolução acelerada

Se o GNOME 50 aposta na maturidade, o KDE Plasma 6.6 chega com energia total. E talvez esse seja o ponto mais interessante do Fedora 44. O KDE não está apenas melhorando, está acelerando.

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Um novo começo já no primeiro boot

O novo fluxo de configuração inicial do KDE Plasma é um dos sinais mais claros dessa evolução.

Agora existe um setup no primeiro boot, semelhante ao que já existe em outros sistemas. Ele permite configurar idioma, layout de teclado, fuso horário e até ativar o modo escuro logo de cara.

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Ainda não é perfeito. Faltam elementos visuais mais claros durante a configuração, como prévias do tema escolhido. Também não há opção para definir uma foto de usuário, nem integração evidente com rede Wi-Fi nesse momento inicial.

Mas é um passo importante, especialmente pensando em fabricantes (OEMs). Se o KDE quiser estar em computadores vendidos prontos, esse tipo de experiência é essencial.

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Novo gerenciador de login

Outra mudança relevante é a substituição do SDDM pelo novo Plasma Login Manager (PLM).

Visualmente, pouca coisa muda. Mas, por trás, há melhorias importantes, incluindo melhor suporte a logins remotos e potencial para ambientes corporativos. É o tipo de mudança que passa despercebida para muitos usuários, e isso é positivo.

Recursos que fazem diferença no dia a dia

O Plasma 6.6 traz uma quantidade enorme de melhorias, muitas delas pequenas, mas que somadas, fazem diferença real na experiência.

Entre os destaques:

  • Possibilidade de salvar temas personalizados do desktop;
  • Controle de volume por aplicativo diretamente na barra de tarefas;
  • Login em redes Wi-Fi via QR Code;
  • OCR integrado ao Spectacle para extração de texto de imagens;
  • Melhor gerenciamento de desktops virtuais em múltiplos monitores;
  • Ajuste automático de brilho com sensores de luz ambiente.

São mais de 2 mil ajustes no total, e isso fica perceptível no uso. O KDE Plasma hoje é mais consistente, mais polido e muito mais previsível do que era há poucos anos.

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Um KDE mais competitivo do que nunca

Durante muito tempo, o KDE carregou a fama de ser instável, pesado ou excessivamente complexo. Hoje, essa narrativa não se sustenta da mesma forma. A evolução recente do projeto é evidente. O Plasma está mais coeso, mais moderno e, principalmente, mais confiável.

Isso muda completamente o cenário. Se antes o GNOME era a escolha padrão para quem queria algo sólido e consistente, agora o KDE entra nessa conversa com argumentos fortes.

Para quem já está no Fedora, a atualização para a versão 44 é natural. Como sempre, existe aquele período inicial pós-lançamento onde bugs aparecem e são corrigidos rapidamente. Esperar alguns dias pode ser uma boa estratégia para quem prefere estabilidade total.

Mas, no geral, o cenário é positivo. O Fedora 44 entrega uma base sólida, atualizada e com melhorias reais tanto para GNOME quanto para KDE.

O KDE como futuro?

A pergunta inevitável surge: o KDE Plasma pode se tornar o padrão no Fedora? Ainda não há sinais concretos disso. O GNOME continua sendo a escolha oficial, com forte alinhamento filosófico ao projeto Fedora.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, essa escolha não parece mais tão óbvia. O KDE evoluiu muito, hoje, ele não só compete em igualdade, como em alguns aspectos ultrapassa o que outras interfaces oferecem.

Inclusive, recentemente tivemos uma experiência bastante prática com o KDE Plasma, quando utilizamos o Bazzite para tudo, menos jogar.