NexPhone: o celular que é PC demorou 14 anos para existir

NexPhone: o celular que é PC demorou 14 anos para existir

Em 2012, um conceito prometia revolucionar a computação: um único dispositivo que fosse seu telefone, seu tablet e seu PC desktop. A Canonical batizou essa visão de “convergência” com o Ubuntu for Android, mas o projeto, assim como esforços similares da Microsoft com o Windows Phone, nunca decolou comercialmente. Agora, 14 anos depois, uma empresa está tentando ressuscitar esse sonho de forma mais ambiciosa do que nunca: o NexPhone está aberto para pré-venda.

Desenvolvido pela Nex Computer (conhecida pelos lapdocks NexDock), o NexPhone une em um único aparelho, os três grandes ecossistemas de desktop modernos: Android, Linux (Debian) e Windows 11.

A trindade dos sistemas operacionais

O grande diferencial do NexPhone está na execução técnica ousada:

  • Android 16 como base: o sistema primário é o Android mais recente, com seu modo Desktop nativo pronto para uso em telas maiores;
  • Debian Linux como um “App” acelerado: aqui está um dos truques mais interessantes. O Debian não roda em uma partição separada, mas sim como um aplicativo containerizado e com aceleração de GPU em cima do Android. Conecte o telefone a um monitor, e ele se transforma em uma experiência desktop Linux completa, enquanto o Android continua funcionando normalmente no celular, similar aos planos originais do Ubuntu for Android;
  • Windows 11 ARM com boot nativo: para quem precisa do ecossistema Microsoft, o NexPhone permite uma reinicialização completa para o Windows 11 na arquitetura ARM. No modo celular, um shell personalizado com interface em grade (que remete aos Live Tiles do antigo Windows Phone) gerencia o sistema. Conectado a um monitor, ele se transforma na área de trabalho tradicional do Windows.
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Imagem: Nex Computer

Um hardware “pé no chão”

Para viabilizar essa tríade incomum, a Nex Computer fez uma escolha de hardware curiosamente simples: o processador Qualcomm QCM6490, um chip de 2021 originalmente voltado para dispositivos IoT, mas também presente no FairPhone 5. A razão é prática: este é o único chipset disponível que oferece suporte robusto e oficial aos três sistemas operacionais, graças ao seu firmware UEFI/EDK2, necessário para boot nativo do Windows on ARM.

O desempenho do SoC baseado na arquitetura do Snapdragon 778G (1 núcleo Cortex-A78 a 2.7GHz, 3 a 2.4GHz e 4 núcleos de eficiência A55), será adequada para tarefas cotidianas e produtividade leve, mas não para cargas pesadas como jogos, compilação de kernels ou edição de vídeo complexa. A vantagem compensatória é o suporte estendido da Qualcomm até 2036, prometendo atualizações de segurança por uma década.

O resto das especificações é de um smartphone intermediário robusto: tela LCD de 6.58″ FHD+ a 120Hz, 12GB de RAM, 256GB de armazenamento, câmera principal de 64MP e conexões modernas (Wi-Fi 6E, Bluetooth 5.2, NFC).

Uma aposta de nicho

Com preço estimado em US$ 549 e produção só iniciando no segundo semestre de 2026, o NexPhone é claramente um produto de nicho e uma aposta. A própria empresa sugere que ele seja um telefone secundário ou um dispositivo de backup robusto, não um substituto para flagships tradicionais.

Para entusiastas do Linux, a oferta de um Debian pré-integrado é conveniente, pouco revolucionária, dado que ferramentas como Termux e Andronix já permitem rodar containers Linux no Android há anos. Já para os saudosistas do Windows Phone e da promessa não cumprida do “Continuum”, o NexPhone representa o mais próximo que se chegou de um sucessor espiritual do Lumia 950 XL em uma década.

Podemos considerar o NexPhone um teste de mercado para saber se, em 2026, ainda existe um público disposto a comprar a ideia da convergência completa, mesmo que ela chegue em um hardware modesto. Se vai decolar ou permanecer como uma curiosidade para entusiastas, só o tempo — e os múltiplos de US$ 200 de depósito dos primeiros apoiadores — dirão.

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