Em 15 anos de Diolinux, poucas vezes vimos um desktop Linux que nos deixasse sem palavras de tão bonito e bem feito. Mas não é só o visual cheio de animações suaves que chama a atenção. A própria forma de usar é completamente diferente. É até difícil de explicar: o desktop simplesmente desliza.
E apostamos que você provavelmente nunca pensou em usar o computador dessa forma. Que Linux é esse? Como instalar? Dá para usar no dia a dia ou é só perfumaria?
Vamos responder tudo isso aqui. Mas já adianto: por mais que tenhamos adorado essa experiência, ela definitivamente não é para todo mundo. Existe um tipo específico de usuário que vai conseguir tirar o melhor proveito dessa combinação de ferramentas. Será que é o seu caso?
Um visual que chama atenção
O primeiro impacto é inevitável. O sistema é extremamente bonito, com animações muito bem trabalhadas e uma organização de elementos que lembra bastante algo entre o GNOME e o macOS.
Mas, diferente desses ambientes mais tradicionais, aqui existe uma proposta mais ousada. Antes de falar sobre como tudo funciona, vale explicar de onde vem esse sistema.Pode parecer inesperado, mas tudo isso roda em cima do CachyOS. Apesar de ele ser conhecido por usar o KDE Plasma como padrão, durante a instalação você pode escolher outros ambientes. E uma dessas opções é justamente o Niri.
Só que o visual que você vê aqui não é mérito exclusivo do Niri. Na verdade, precisamos dar alguns passos para trás para entender melhor essa composição.

Niri, Hyprland e a base da experiência
Se você já viu algo como o Hyprland, vai perceber algumas semelhanças. Ambos são window managers modernos, pensados para o Wayland, com foco em fluidez, animações e controle refinado das janelas. A diferença é que, enquanto o Hyprland segue uma lógica mais tradicional de organização em mosaico, o Niri faz algo completamente diferente: ele organiza as janelas em uma espécie de linha horizontal infinita.
Em vez de dividir a tela em vários pedaços cada vez menores, ele simplesmente empurra as janelas para o lado. E é aí que entra a “mágica”.
O papel do Noctalia Shell
O Niri, assim como outros window managers, não é responsável pela interface completa. Ele apenas posiciona e renderiza as janelas. Toda a parte visual, menus, barra superior, notificações, dock, configurações, vem do Noctalia Shell.
E isso é importante de entender: um shell não é um desktop environment completo.
Se a gente fosse fazer um paralelo simples:
- GNOME Shell → equivalente ao Noctalia
- Mutter → equivalente ao Niri ou Hyprland
Ou seja, o shell é a “cara” do sistema, enquanto o window manager é quem controla como as janelas se comportam.
No caso do CachyOS, os desenvolvedores combinaram Niri + Noctalia Shell para entregar essa experiência pronta.

Interface familiar, mas diferente
Apesar da proposta inovadora, a interface não é difícil de entender. Na barra superior, temos um lançador de aplicativos simples e direto, com poucos programas instalados por padrão. Ele permite navegação por categorias, lista ou grid, além de fixar apps favoritos, algo que lembra até o Spotlight moderno.

Ao lado, temos um calendário completo com informações adicionais, como clima e fuso horário. Também há monitoramento de hardware, indicadores de áreas de trabalho, notificações e controles rápidos como áudio, brilho e conectividade.

Existe ainda uma dock, escondida por padrão, que pode ser ativada para facilitar o acesso rápido a aplicativos.

Tudo isso é altamente configurável, com um painel visual bem completo. E aqui está um dos grandes diferenciais: diferente de muitos window managers, você não precisa editar arquivos de texto para configurar tudo. Dá para fazer praticamente tudo pela interface gráfica.

Um desktop que desliza
Agora vem a parte mais interessante. No uso básico, tudo parece normal. Você abre um terminal, depois um navegador, e o sistema divide a tela entre eles. Mas quando você abre mais janelas, em vez de comprimir tudo, o Niri começa a empurrar as janelas para o lado.

A área de trabalho se torna uma espécie de “faixa infinita”, onde você navega horizontalmente entre as aplicações. Com atalhos de teclado ou até movendo o mouse, você desliza de uma janela para outra.
Isso resolve um problema clássico dos window managers: janelas pequenas demais ou excesso de áreas de trabalho virtuais. Aqui, você simplesmente continua abrindo coisas, e o sistema organiza tudo de forma fluida.
Outro detalhe interessante é o controle de tamanho. Você pode ajustar a largura das janelas facilmente, criando uma experiência quase personalizada para cada fluxo de trabalho. Quer um app ocupando mais espaço? Ajusta. Quer vários visíveis lado a lado? Também dá.
E como o espaço lateral é virtualmente infinito, você não fica limitado ao tamanho da tela. Isso muda completamente a forma como você interage com múltiplos aplicativos.

Para quem isso faz sentido?
Essa é a parte mais importante. Apesar de o CachyOS facilitar muito a instalação, ainda estamos falando de um sistema baseado em Arch Linux, com um window manager focado em teclado. Ou seja, não é exatamente o tipo de ambiente mais tradicional.
Por outro lado, o Noctalia Shell suaviza bastante essa curva de aprendizado. Ele entrega uma interface amigável, com configurações acessíveis e uma experiência que pode, sim, ser usada com mouse sem grandes problemas. Talvez essa seja uma das primeiras combinações desse tipo que consegue equilibrar poder e acessibilidade.
A recomendação padrão seria testar em uma máquina virtual. Mas, nesse caso específico, o Niri não se comporta muito bem em ambientes virtualizados. Então, se você quiser experimentar de verdade, o ideal é usar um computador secundário.
A boa notícia é que você não precisa montar tudo manualmente. O próprio CachyOS já oferece essa experiência pronta no instalador.
E se você quer saber mais sobre o CachyOS, temos um conteúdo supercompleto dedicado a ele!