Um PC gamer de 2016 ainda dá jogo em 2026? Testamos com Linux

Um PC gamer de 2016 ainda dá jogo em 2026? Testamos com Linux

Nós não somos de jogar fora hardware que ainda funciona. Sempre tem como reaproveitar até o PC mais fraco de alguma forma, e ao longo dos anos já fizemos vários conteúdos explorando esse assunto. Mas dessa vez o desafio é maior. E, pra ser sincero, é também uma experiência muito especial.

Há 10 anos, comemorávamos sair de uma GTX 650 para uma GTX 960 de 2 GB. Era a primeira vez que sentíamos aquele salto real de desempenho, a possibilidade de rodar jogos melhores, com gráficos mais bonitos, e dividir partidas com os amigos sem sofrer tanto com travamentos. Mais tarde, veio outra atualização, para uma GTX 1060 que, inclusive, continua firme e forte no PC da Luana até hoje.

Mas diferente do que muita gente faz, nós não vendemos a GTX 960. Ela ficou guardada na estante, como lembrança de onde tudo começou. Até que o mercado mudou.

O hardware encareceu e o Linux evoluiu

Nos últimos anos, o preço de hardware subiu consideravelmente, especialmente memórias e placas de vídeo. Ao mesmo tempo, o Windows 11 passou a exigir requisitos que simplesmente ignoram uma geração inteira de computadores ainda plenamente funcionais. Enquanto isso, o Linux evoluiu muito, principalmente para jogos.

Então a pergunta surgiu de forma inevitável: será que aquele PC de 2016 ainda serve para alguma coisa em 2026? Será que dá para jogar títulos atuais? E jogos competitivos? Será que o Linux consegue “salvar” um computador que o Windows basicamente abandonou? Para descobrir, remontamos a máquina praticamente como era na época.

O coração do sistema é um Intel Core i5 3330, terceira geração, quad-core. Um processador que, segundo a Microsoft, já não serve mais para rodar o Windows 11, mas que queríamos testar no mundo real com Linux.

A placa-mãe é uma H61 LGA1155, 8 GB de RAM DDR3 1600 MHz em dual-channel e, claro, a protagonista: uma GTX 960. Como o modelo de 2 GB praticamente desapareceu do mercado e quando aparece está com preços absurdos, usamos uma versão de 4 GB, que na prática é até um pouco melhor.

O armazenamento, diferente da época original (quando usávamos HD), agora é um SSD SATA de 480 GB. Só isso já representa um salto gigantesco na experiência. Fonte e gabinete são equivalentes ao que tínhamos, e sim, colocamos alguns coolers RGB porque estavam aqui. Eles não aumentam o FPS, infelizmente.

Se alguém fosse montar algo assim hoje, garimpando peças usadas, daria para ficar em torno de R$ 2 mil. Não é um guia ideal de montagem, porque existem combinações mais modernas por valores semelhantes. Mas o objetivo aqui não é eficiência máxima por real investido. É testar a viabilidade de um PC antigo no mundo atual.

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O sistema escolhido: Bazzite com KDE Plasma

Para o sistema, escolhemos o Bazzite com KDE Plasma. Ele oferece uma experiência muito próxima ao Steam Deck, já vem com drivers configurados e com o Steam pronto para uso. Para quem quer pegar um PC antigo e começar a jogar no Linux sem dor de cabeça, é uma escolha bastante amigável.

Na instalação, basta selecionar a opção para desktop e escolher suporte a GPUs NVIDIA legacy — que inclui a série 900. O processo é simples: pendrive bootável, avançar, concluir. Pouco depois, já estávamos prontos para baixar jogos e testar.

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Jogos atuais: até onde vai?

Começamos com títulos mais pesados, porque jogos são excelentes ferramentas de estresse de hardware. Eles exigem CPU, GPU, memória e armazenamento ao mesmo tempo. Se o PC sobrevive a uma bateria de jogos, ele provavelmente aguenta qualquer tarefa de escritório, programação ou edição de vídeo leve.

Em títulos AAA mais recentes, o cenário é previsível: 720p é o ponto ideal. Com ajustes em qualidade baixa e uso inteligente de escalonamento quando disponível, a GTX 960 ainda consegue entregar experiências jogáveis. Não roda no ultra, com ray tracing ou 4K, mas dependendo do título pode ser viável. Em nossos testes, o Red Dead Redemption 2 não rodou, mas conseguimos jogar Cyberpunk 2077 com tudo no mínimo.

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Já em jogos competitivos e títulos otimizados, como shooters populares e MOBAs — a experiência surpreende. Taxas de quadros estáveis e jogabilidade perfeitamente aceitável. Nada de milagre, mas também nada de injogável.

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O mais interessante é perceber como o Linux, com Proton e as camadas de compatibilidade atuais, transformou completamente o cenário em comparação com 2016.

Vale a pena montar algo assim hoje?

Sendo bem honestos: se você tem R$ 2 mil para investir do zero, provavelmente consegue montar algo mais moderno. Nós mesmos já mostramos opções melhores aqui no canal.

Mas se você já tem um PC parecido parado, ou se o orçamento é muito limitado, a história muda. Não só dá para usar a máquina para trabalho, estudo, programação e edição leve, como também dá para jogar.

E é por isso que testamos jogos, eles representam um dos cenários mais exigentes possíveis. Se roda jogo, roda praticamente qualquer outra coisa do dia a dia.

Um novo propósito

Se você não precisa usar um PC desses como máquina principal, existe outra alternativa muito interessante: transformá-lo em servidor doméstico. Seja para backups, mídia, automação ou laboratório de estudos, é um reaproveitamento extremamente válido.Veja como transformamos um computador que estava parado por aqui num servidor de IA local.