Uma disputa interna na Lux Optics — responsável por apps como Halide, Kino e Spectre — veio à tona com acusações sérias envolvendo um de seus cofundadores, Sebastiaan de With, que recentemente passou a integrar a equipe de design da Apple.
De acordo com o The Information, o processo foi aberto por Ben Sandofsky em um tribunal da Califórnia e traz uma série de alegações contra de With — incluindo uso indevido de recursos da empresa e até o suposto compartilhamento de código-fonte confidencial com a Apple.
Segundo a ação, de With teria utilizado mais de US$150 mil em fundos corporativos para despesas pessoais ao longo dos últimos anos. As acusações afirmam ainda que, ao deixar a Lux, ele teria levado consigo materiais confidenciais e partes do código do Halide para Cupertino.
A defesa de de With nega as acusações e afirma que ele não utilizou nem transferiu qualquer propriedade intelectual da Lux para a Apple. Seus advogados também classificam o processo como uma tentativa de chamar atenção e ganhar vantagem em uma disputa interna.
Apple tentou comprar a Lux Optics
Um dos pontos mais curiosos do processo é a revelação de que a Apple teria tentado adquirir a Lux Optics em 2025. As negociações teriam ocorrido no meio do ano, mas não avançaram — em parte porque os próprios fundadores acreditavam que futuras atualizações do Halide poderiam aumentar o valor da empresa.
De acordo com os relatos, o interesse da Apple estava diretamente ligado à melhoria do app Câmera (Camera) nativo do iPhone. A empresa buscaria incorporar recursos avançados já presentes no Halide, como controles manuais mais precisos, ajustes de exposição e suporte a captura em RAW.
Mesmo sem a aquisição, a Apple acabou contratando de With meses depois — movimento que agora ganha novos desdobramentos à luz do processo.
Apple não é ré no caso
A possível investida da Apple na Lux Optics reforça rumores de que a empresa pretende elevar o nível da fotografia no iPhone, especialmente em futuros modelos como o “iPhone 18 Pro”, que deve aproximar ainda mais o hardware de câmeras profissionais.
Nesse cenário, faz sentido que a Apple também esteja olhando com mais atenção para o software — historicamente mais simples no app Câmera nativo — enquanto apps de terceiros, como o Halide, continuam oferecendo ferramentas avançadas para usuários mais exigentes.
Apesar de citada diversas vezes no processo, a Apple não é formalmente acusada de qualquer irregularidade e não figura como ré na ação. Ainda assim, seu envolvimento indireto — seja nas negociações de aquisição, seja na contratação de de With — coloca a empresa no centro de uma disputa que pode ter desdobramentos relevantes para o ecossistema de fotografia no iOS.
via The Verge