Craig Federighi optou por parceria ao concluir que IA da Apple não superaria modelos de terceiros

Craig Federighi optou por parceria ao concluir que IA da Apple não superaria modelos de terceiros

O The Information trouxe há pouco informações de bastidores sobre a abordagem da Apple em relação à inteligência artificial, setor que passou por uma mudança significativa no último ano.

Segundo a reportagem, o chefe de software da Apple, Craig Federighi, é apontado como figura central dessa mudança. Ele teria assumido a supervisão direta da organização de IA da empresa e passado a conduzir decisões que moldarão o futuro da Siri e de outros recursos em toda a linha de produtos da companhia.

Isso porque Federighi acreditava que os esforços da Maçã em IA não estavam avançando com a rapidez necessária. Tanto que ele tomou o controle das equipes desse setor — o que teria gerado certa tensão, já que o executivo de software (alegadamente) criticou os integrantes desses grupos durante uma reunião recente.

Craig Federighi com várias imagens da Apple Intelligence ao fundo

Apple teria perdido talentos em IA por mais do que só motivos financeiros

Luiz Gustavo Ribeiro22/07/2025 • 15:54

Por outro lado, alguns membros dessas equipes apontaram que não receberam “orientação suficiente” sobre como seus modelos seriam usados, o que limitava sua capacidade de competir com alternativas externas.

O artigo também aponta que foi Federighi quem defendeu a utilização de um modelo de outra empresa em vez de um desenvolvido internamente. Segundo ele, os modelos próprios da Apple não conseguiriam (pelo menos à época) competir com os de terceiros — a exemplo do Google, com o qual a empresa fechou um acordo.

Preocupações

No entanto, o The Information também destaca preocupações internas sobre as implicações de colocar a IA sob o controle de Federighi. Pessoas que trabalharam de perto com ele o descreveram como “extremamente preocupado com custos e cético em relação a investimentos com retornos incertos”.

Como exemplo disso, a Apple teria tentado limitar os gastos com infraestrutura enfatizando o processamento no próprio dispositivo e no seu sistema Private Cloud Compute, que utiliza o Apple Silicon. Dizia-se que a empresa estava aguardando a redução do custo com computação e profissionais de IA, apostando que a maioria dos casos de uso para o consumidor acabaria sendo processada localmente nos dispositivos — o que acabou se mostrando uma visão equivocada.

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Tensões sobre a estratégia de IA já haviam surgido internamente antes. Por volta de 2019, Mike Rockwell (que liderava o desenvolvimento do Apple Vision Pro) teria proposto uma interface baseada em IA para os sistemas da empresa — o que foi rejeitado por Federighi, que também negou propostas sobre o uso de IA para reorganizar dinamicamente a Tela de Início do iPhone, argumentando que tais mudanças “confundiriam os usuários”.

Apesar do ceticismo inicial, a posição de Federighi mudou após o lançamento do ChatGPT, no final de 2022. Pessoas próximas afirmaram que ele se convenceu do potencial dos grandes modelos de linguagem (LLMs) e instruiu suas equipes a explorar maneiras de integrar recursos semelhantes aos produtos da Apple.

Federighi teria concluído que os modelos internos da Apple não apresentavam desempenho adequado nos dispositivos, enquanto membros da equipe dos modelos de IA próprios da Maçã acreditavam que estavam sendo culpados pelos desafios relacionados à otimização dessas tecnologias, que era de responsabilidade da organização de software.

Imaginem como não estava o clima dentro do Apple Park, nessa época…

via MacRumors