“Pare! Isso é loucura!” Afirmou um confuso Steve Jobs ao interromper abruptamente uma reunião para o planejamento de novos produtos.
Era setembro de 1997, Jobs havia retornado à Apple alguns meses antes e a linha de produtos da empresa justificava sua irritação e seu descontentamento. No início da década de 1990, o mercado de PCs era dominado por uma enorme variedade de máquinas rodando Windows, que ocupavam todos os nichos de mercado.
Inicialmente sob o comando de John Sculley — e depois por Michael Spindler —, a estratégia adotada pela Apple foi de diversificar sua linha de produtos e ter algo para vender em cada um desses nichos de mercado. Em cinco anos, de 1992 a 1997, a Apple lançou nada mais nada menos que 10 Quadras, 28 PowerBooks e 45 Performas! Some-se a essa linha de produtos as impressoras, a QuickTake câmera, o Twentieth Anniversary Mac (TAM), o Newton, o eMate e até um videogame, o Pippin!
Além de enorme em quantidade, era uma linha de produtos extremamente confusa. Diferenciar um produto de outro era uma tarefa complexa até mesmo entre os funcionários da Apple, tanto que a própria companhia precisava criar documentos internos explicando como diferenciar um produto do outro em sua linha. No exemplo abaixo, temos cinco modelos que são, essencialmente, o mesmo hardware.
Documento interno da AppleBaixarUm pequeno exemplo da confusa linha de produtos da Apple nos anos 1990. Trata-se de um artigo interno da empresa, no qual a própria Apple explica como diferenciar os modelos LC, Performa e Quadra.
Alguns produtos eram diferenciados apenas pelo “combo” de software pré-instalado ou pela velocidade do modem. E não era apenas isso: a Apple segmentava seus produtos nas lojas de varejo. Assim, cada rede varejista americana comercializava modelos específicos de Macs. Elas podiam fazer marketing do tipo “menor preço garantido” ou “cobrimos qualquer oferta” porque era simplesmente impossível achar o mesmo computador em outra loja.
Imagine a situação dos consumidores, vendo o mesmo hardware sendo comercializado com nomes e preços diferentes. Escolher um modelo de Mac para comprar era uma tarefa dificílima.
A tabela de produtos 2×2
Jobs estava farto daquilo. Era hora de acabar com aquela insanidade. Levantou-se, foi até um quadro branco e desenhou uma tabela simples, duas linhas e duas colunas, quatro produtos diferentes.
Nas palavras do próprio Jobs, na Macworld Expo de 1998:
Voltamos à aula introdutória de qualquer escola de negócios. O que as pessoas querem? Elas querem dois tipos de produtos: produtos para consumidores domésticos e mercado educacional, e produtos para profissionais. E pra cada um desses produtos precisamos de um desktop e um portátil. O que isso nos disse foi que, se tivermos quatro grandes produtos, isso é tudo o que precisamos!
Essa radical redução na quantidade de produtos trazia a vantagem de que a Apple podia direcionar melhor sua equipe de engenheiros e designers no desenvolvimento de apenas quatro grandes produtos. Era qualidade sobre quantidade. Como diria Jobs, “se tivermos apenas quatro produtos, podemos colocar o time A no desenvolvimento de cada um deles”.
A partir de 1998, com a linguagem de design implementada por Jony Ive, a matriz de produtos se consolidou da forma como a conhecemos, com a terceira geração dos processadores PowerPC nos clássicos iMac e Power Mac, iBook e PowerBook G3.
Além de todas essas vantagens, a matriz de produtos 2×2 criou algo poderoso que caracterizaria a Apple e teria impactos em todo o mercado de bens de consumo nos anos/décadas seguintes: a categorização do público em consumidores “comuns” e “profissionais”.
Consumer vs. Pro
Consumidores “comuns” preparam documentos, navegam na internet, leem emails, assistem a filmes e ouvem músicas. Abrem mão de potência e desempenho e estão dispostos a trocar de computador com mais frequência em prol de um menor preço.
Profissionais criam músicas, vídeos, fotografias. Estão dispostos a pagar mais caro por um computador que os permita manter um fluxo de trabalho pesado. Preferem ter a opção de expandir e fazer upgrades em seu hardware sem necessariamente trocar de computador — tenha em mente: estávamos em 1997!
O “retro futurista” iMac G3 Bondi Blue, destinado a consumidores comuns, abandonava os drives de disquetes e as portas SCSI em prol das modernas portas USB 1.1, mas não trazia praticamente nenhuma opção de upgrade. Na verdade o usuário até podia fazer upgrade de RAM 1, já que a Apple considerava memória uma “parte instalável pelo usuário”, mas o processo exigia desmontar parcialmente o iMac para ter acesso à placa lógica (a portinha de acesso à memória só apareceu a partir do modelo slot loading de 350MHz).
Porém o Power Mac G3, destinado aos profissionais, introduziu um conceito revolucionário que a Apple chamou de… porta! 😁
A abertura ao estilo porta do Power Mac G3 dava acesso fácil e rápido ao interior da máquina. Usuários podiam facilmente instalar mais RAM, mais HDD 2, e qualquer outro acessório compatível por meio dos três slots de expansão PCI 3.

A história se manteve através das novas gerações: Power Macs G4, G5 e os Mac Pro, após a transição à Intel em 2006, mantiveram o acesso rápido e fácil ao seu interior pela abertura de uma das laterais.
O ralador de queijo original, em alumínio!
A partir de 2001, outra forma de diferenciação entre consumidores comuns e profissionais começava a se destacar nos produtos da Apple: os materiais.
Consumidores comuns estavam satisfeitos com produtos de plástico, menos resistentes porém mais baratos, que seriam usados geralmente em ambiente doméstico. Profissionais precisavam de algo com maior durabilidade e resistência, que os acompanhasse em viagens a trabalho e uso “no campo”.
Em 2001, a Apple começava sua jornada em substituir o plástico na construção de seus produtos. O PowerBook G4 Titanium (TiBook, para os íntimos) era construído em titânio, leve, fino (apenas 1″/2,5cm de espessura quando fechado), e absolutamente lindo!
Pessoalmente, eu sempre achei o TiBook meio estranho — em algum momento posso até ter usado a palavra “tosco” ao me referir a ele (e peço perdão)! Isso claro, até ver o bichinho pessoalmente! E sim, eu estava errado! O PowerBook G4 Titanium era uma obra prima!

A diferença entre um iBook G3 de policarbonato e um PowerBook G4 Titanium é gigantesca!

Na linha desktops profissionais, foi também em 2001 que o Power Mac G5 foi introduzido. Anunciado pela Apple como “o primeiro computador pessoal 64 bits”, o G5 foi o primeiro Mac a ter um processador de 64 bits e portas USB 2.0. Era uma besta enjaulada em um magnífico gabinete em alumínio anodizado, eternizado carinhosamente como “ralador de queijo”.
As entranhas do Power Mac G5 eram facilmente acessadas pela fácil remoção (sem parafusos) de uma das laterais.

Bernie Kohl, CC0 | Wikimedia Commons
Toda a potência do Power Mac G5 vinha com um preço. Desde a sua primeira versão, ele sempre foi uma máquina de consumir energia e produzir calor. Dividido em quatro “zonas térmicas”, o gabinete do G5 tinha nove coolers para mantê-lo em temperaturas aceitáveis. Em algumas versões multiprocessador, como o 2,5GHz dual-core de 2004 e os 2,7GHz dual e 2,5GHz quad-core de 2005, os nove coolers não eram suficientes para evitar que o Power Mac derretesse sobre a sua mesa, e a Apple precisou utilizar refrigeração líquida pela primeira vez na sua história.
Aliás, quando falamos do liquid cooling dos G5, precisamos destacar alguns pontos. O primeiro é um fato: todos os sistemas de refrigeração líquida dos G5 vazavam! Não era questão de se, era questão de quando o vazamento ocorreria. Nas últimas versões do G5 (quad-core de 2005), o sistema foi melhorado e apresentava uma menor tendência a falhas.
Mas falhava em algum momento — no que, para mim, só pode ser interpretado o resultado de uma solução desenvolvida de maneira apressada. O sistema de refrigeração líquida dos Power Macs G5 ficava logo acima da fonte, ou seja, em caso de vazamento, o líquido (que era eletricamente condutor) caía diretamente sobre a fonte. Você consegue imaginar o estrago, né? Fica claro que a Apple jamais planejou utilizar refrigeração líquida nos G5. Foi algo improvisado, de última hora, quando se viu que não haveria forma de refrigerar as CPUs 4 apenas com coolers, e o sistema líquido foi incorporado sem grandes alterações no design do gabinete.

A foto acima é do Power Mac G5 quad-core do final de 2005 que tenho na minha coleção. É o último modelo, o sistema de refrigeração líquida foi melhorado e, até o momento — acabei de bater três vezes na madeira! — não apresentou vazamento. Mas, como eu disse, é uma questão de tempo.
Nota-se, abaixo do sistema, uma espécie de tecido, um “tapetinho”. Foi a solução que a Apple achou pra proteger a fonte em caso de algum vazamento. Mas há ainda um outro detalhe — quase sórdido — nesse sistema de refrigeração líquida dos Power Macs G5: na foto acima, podemos ler o nome do fabricante do sistema: Delphi.
Pois bem, a Delphi Automotive fabricava sistemas de refrigeração de carros (especialmente para a GM nos Estados Unidos), e ela usou nos G5 o Dex-Cool, mesmo líquido refrigerante que usava em automóveis. O Dex-Cool era extremamente corrosivo e destruía o interior do Mac quando vazava.
O G5 era ineficiente do ponto de vista energético, consumia muita energia e gerava muito calor, a ponto de a Apple nunca conseguir colocá-lo em um portátil. Além disso, o desenvolvimento da linha PowerPC estava ficando cada vez mais caro e manter a performance em relação aos computadores com Intel estava cada vez mais difícil. Mas tudo isso virou história a partir de 2006, quando a Apple abandonou a arquitetura PowerPC, migrou seus processadores Intel e, aí, nasceu o Mac Pro!

Externamente, o design é praticamente o mesmo, com exceção da presença de um segundo drive óptico e algumas configurações diferentes nas portas I/O. Mas, internamente, os dois processadores dual-core Xeon 5130 rodando a 3GHz entregavam mais performance com uma eficiência térmica significativamente melhor que os G5.
No seu pico de processamento, rodando a 2GHz, o Xeon 5130 dissipava em torno de 65W de potência, enquanto que, para um PowerPC 970M (o G5) a 2,5GHz, esse valor chegava tipicamente a 125W! Lembre-se, por CPU! Não é à toa que nunca tivemos um iBook ou PowerBook G5, não é mesmo?
Ao longo dos seus sete anos de vida, o Mac Pro teve cinco versões e recebeu inúmeros upgrades, mantendo sempre o que o caracterizava como Pro: potência e performance, fácil acesso ao seu interior e variadas possibilidades de expansão e upgrades.
O Mac Pro original permitia, inclusive, gerenciar a velocidade de cada slot PCI, de modo a maximizar o desempenho de determinado hardware. Era a expressão máxima de potência e desempenho. Até que, em outubro de 2013, a Apple fez isso aí embaixo:

“Can’t innovate anymore, my ass”
No início da década de 2010, a Apple estava sofrendo críticas por “inovar” pouco. Era acusada de estar sendo “preguiçosa” ou até mesmo estagnada no desenvolvimento de novos produtos. E convenhamos, não eram críticas totalmente infundadas.
O form factor dos seus produtos não sofria grandes alterações havia anos. Após a introdução do alumínio e da metodologia unibody, as mudanças de design eram mínimas e sutis em toda a linha, pelo menos desde 2007-2008.
Phil Schiller subiu ao palco da WWDC de 2013 para dar uma “prévia” da próxima geração do Mac Pro e, após um vídeo de apresentação, brincou soltando um “Can’t innovate anymore, my ass”, arrancando aplausos e risos de quase toda a plateia (aos 2min54seg do vídeo abaixo, podemos ver um certo Steve Woz aparentemente não tão entusiasmado quanto o resto da audiência).
O novo design do Mac Pro era, no mínimo, inusitado. Imediatamente ganhou o carinhoso (ou jocoso?) apelido de lixeirinha. Era compacto, tinha apenas 1/8 do volume da geração anterior do Mac Pro e o gabinete era construído a partir de um único bloco de alumínio, combinando processos de estampagem e usinagem. Aliás, o vídeo mostrando o processo de produção é, na minha humilde opinião, um dos mais legais já feitos pela Apple envolvendo fabricação de produtos:
O Mac Pro lixeirinha apresentava algumas inovações interessantes. Processador, memórias e placas de vídeos (eram duas GPUs 5) eram construídas em um sistema chamado unified thermal core. Um engenhoso sistema onde os componentes dissipavam calor na mesma direção (para o centro do gabinete) e um único ventilador removia esse calor pra fora do Mac. Como esse cooler era maior, ele podia girar mais lentamente, fazendo o Mac Pro ser extremamente silencioso, mesmo quando executando tarefas pesadas.

Mas não demorou muito para esse elegante cilindro de alumínio polido entrar na lista de Macs problemáticos da década. As possibilidades de “expansão externa” por meio das seis portas Thunderbolt 2 nunca caíram nas graças dos usuários e a acessibilidade ao interior era muito diferente das gerações passadas. Até era possível fazer upgrade nas duas GPUs internas, por exemplo, mas não existiam no mercado mais do que três ou quatro modelos de GPUs compatíveis.
Além disso, para se ter uma ideia, era necessário controlar o torque aplicado nos parafusos durante a instalação da nova GPU para garantir o correto funcionamento do unified thermal core. Tal controle exigia ferramentas específicas, pouco comum por mais profissional que fosse o usuário.
O unified thermal core começou a apresentar problemas quando o lixeirinha era exigido ao seu máximo. Diversos usuários passaram a reclamar de desligamento repentinos. Os anos de 2014 e 2015 vieram, e nenhuma grande atualização apareceu para o Mac Pro. O que começou a aparecer foram problemas com as placas de vídeo. A Apple abriu um recall programa de reparo em 2016 para substituir as unidades defeituosas.
Em 2017, o iMac Pro com tela Retina começou a fazer mais sentido do que um Mac Pro para muitos dos usuários profissionais. Entregava desempenho melhor ou semelhante, integrava um monitor 5K e era mais barato. O fato é que o Mac Pro estava estagnado a ponto de a Apple admitir, em 2017, que errou a mão, que havia decepcionado os usuários profissionais e que estava redesenhando o Mac Pro.
De volta às origens
Em 2019, o novo Mac Pro volta às suas origens, com um gabinete modular do tipo torre mais tradicional, uma frente ralador de queijo redesenhada, e uma maior capacidade de expansão.

O MacPro7,1 trazia 12 slots de memória, 8 slots PCIe, Thunderbolt 3, era acessível por todas as laterais e tinha até como opção as infames rodinhas de US$700 (ou US$500, se você as comprasse junto com o Mac). 🤡

O Mac Pro 2019 era tudo o que os usuários realmente profissionais queriam e pediam há anos. Uma máquina extremamente potente e verdadeiramente modular/expansível. Um investimento para fazer seu trabalho pesado por alguns anos. Parecia que a Apple havia acertado em cheio! Parecia…
O começo da morte
O problema é que, em 2019, a Apple já estava trabalhando no desenvolvimento de seus próprios processadores de arquitetura ARM. O Mac Pro novamente passou alguns anos estagnado, sem alterações significativas, sendo vendido à sombra de uma obsolescência visível, palpável, cada vez mais próxima no horizonte.
O MacBook Air com chip M1, lançado em novembro de 2020, decretou a morte dos Macs com processadores Intel. O Apple Silicon chegou como uma quebra de paradigma para os Macs. De repente, não havia mais concorrência em termos de performance e eficiência energética. Os Macs estavam muito acima de todo o restante da concorrência! Apesar de ainda não existir um Mac Pro com Apple Silicon, estava claro que não fazia o menor sentido investir em um Mac Pro Intel.
Em 2022, o Mac Studio começa a cavar a cova do Mac Pro. Compacto, do mesmo tamanho que um Mac mini (apenas mais alto) e superando a performance do Mac Pro em praticamente qualquer tarefa. A pá de cal veio no ano seguinte, com Mac Studio equipado com o chip M2 Ultra.
As possibilidades de expansão via slots PCIe do Mac Pro, ausentes no Mac Studio, não faziam a menor diferença. O Mac Pro estava morto, todos sabiam disso — até mesmo a Apple, apesar de fingir que não. Ainda em 2023, a transição para o Apple Silicon foi completada, com o lançamento do Mac Pro equipado com o chip M2 Ultra — e não teve a menor relevância. O Mac Pro continuou morto, disponível para compra no site da Apple, é verdade, mas sem ser comprado por ninguém. Ficou lá, embalsamado, relegado a algum canto da página da Apple por alguns anos.
Em 26 de março de 2026, uma quinta-feira pela manhã, a Apple removeu o Mac Pro de sua página. Sem pompas, sem “anúncio” oficial, sem funeral como o Mac OS 9… apenas uma confirmação ao 9to5Mac, repercutida pelo MacMagazine e por toda a mídia de tecnologia. Merecia mais, o nosso querido ralador de queijo!
O mercado mudou
A história do Mac Pro mostra que sua morte foi lenta e que começou bem antes do Apple Silicon. O Mac Pro foi definhando em uma solitária agonia a partir do momento que a definição de usuários “profissionais” começou a perder o sentido dentro da Apple. Alguns argumentam que a empresa teria abandonado o mercado profissional mas, na verdade, ele simplesmente deixou de existir.
Imagine que você é um fotógrafo no início dos anos 2000, trabalhando com edição de fotos e vídeos. Eu sei, não existia YouTube, mas existiam casamentos. As pessoas se casavam e você passava horas editando vídeos gravados nas recém-chegadas câmeras digitais (ou digitalizando VHS mesmo).
O investimento em um Power Mac G5 fazia todo o sentido visando sua produtividade e fluxo de trabalho. Se você fosse um estudante universitário em 2007, trabalhando com documentos de texto, planilhas de dados e emails, um MacBook de policarbonato era mais do que suficiente para você. Se você fosse um jornalista, passando a maior parte do tempo viajando de um lado para o outro, provavelmente um MacBook Pro com uma maior duração de bateria faria mais sentido.
Houve um tempo em que havia uma clara diferença no perfil de necessidades dos usuários e a matriz de produtos 2×2 fazia sentido. Essa diferenciação começou a virar uma área meio cinza a partir da segunda metade da década de 2008.
O alumínio unibody nivelou (lá em cima!) toda a linha de produtos em termos de qualidade de material. Um MacBook ou um MacBook Pro já não tinham grandes diferenças em termos da qualidade de construção. Não exclusivamente, mas significativamente por culpa da estagnação dos processadores Intel a partir de 2010, as diferenças de desempenho entre Macs “comuns” e Pro começaram a se mostrar cada vez menos significativas para a maioria dos usuários.
Mesmo usuários profissionais podiam optar por abrir mão de um pouco de performance em prol da portabilidade de um MacBook Air, por exemplo. Sem falar no fato de a Apple ter se tornado cada vez mais uma empresa de serviços, e não de hardware. Com armazenamento de arquivos no iCloud e o uso cada vez maior de web apps, ficou cada vez mais difícil justificar a necessidade de um MacBook Pro no lugar de um Air, ou de um Mac Pro no lugar de um iMac.
A chegada do Apple Silicon foi a cereja do bolo. É difícil justificar não somente a escolha de um Mac ou MacBook Pro, mas até mesmo apenas o upgrade para uma nova geração dos chips da linha M. Estou escrevendo este texto em um MacBook Pro (M1 Pro) e, honestamente falando, qual a justificativa que posso dar para trocá-lo por um M5?
Hoje, a diferenciação entre usuários domésticos e profissionais só faz sentido do ponto de vista financeiro e de marketing dentro da Apple. Pelo menos na linha de Macs, o que vemos é uma diferenciação meio fake e forçada, por parte da Apple, para justificar uma precificação diferente — e, consequentemente, margens de lucro.
Com a morte oficial do Mac Pro, talvez vejamos o sufixo “Pro” ser abandonado também dos MacBooks em algum momento do futuro próximo. Se for o caso, espero que com uma despedida mais apropriada que o Mac Pro.
Descanse em paz, ralador de queijo! 🪦

REFERÊNCIAS
- IBM PowerPC 970MP (Third-Generation G5): Tech Specs
- The 2013 Mac Pro, Five Years Later
- 2013 Mac Pro teardown reveals Apple’s first easily repairable computer in years
- O mistério da falta de GPUs externas no novo Mac Pro