iPhone Duo deverá repetir a trajetória do iPhone original, aposta Mark Gurman

iPhone Duo deverá repetir a trajetória do iPhone original, aposta Mark Gurman

Na edição deste domingo (13/9) de sua newsletter “Power On”, na Bloomberg, o jornalista Mark Gurman dedicou boa parte do texto a analisar o impacto que o , primeiro dobrável da Apple, deverá ter no mercado de smartphones nos próximos anos — e suas previsões são, no mínimo, ambiciosas.

Para o jornalista, o iPhone Duo tem potencial para ser lembrado como um dos grandes marcos da Apple, ficando “logo abaixo” de lançamentos históricos como o iMac (1998), o iPod (2001), o iPad (2010) e o Apple Watch (2015). Segundo ele, o aparelho evoca a mesma sensação que o iPhone original e o primeiro iPad causaram na era : a de um produto com real potencial de mudar o mercado de computação pessoal.

Gurman também nota que, diferentemente do — classificado por ele como um fracasso comercial por conta do preço e do tamanho —, a Apple parece ter acertado o posicionamento do Duo já no lançamento, apostando em vídeo, jogos e fotografia, além de recursos que exploram diretamente o formato dobrável, como o modo Em Espera (StandBy) renovado, novas possibilidades de câmera e FaceTime usando a segunda tela como visor, e um modo despertador que aproveita o aparelho na posição dobrada.

A comparação com o iPhone original

O argumento central de Gurman é histórico: antes do lançamento do iPhone, em 2007, os smartphones representavam apenas cerca de 6% dos aparelhos móveis vendidos no mundo. Seis anos depois, já eram maioria; hoje, respondem por cerca de 85% do mercado global — mesmo com a Apple detendo apenas por volta de um quinto dessa fatia.

Com base nessa curva, o jornalista projeta que os dobráveis, hoje responsáveis por apenas 2% dos smartphones vendidos globalmente, poderão se tornar a maioria das vendas de novos aparelhos dentro de uma década, impulsionados tanto pelo Duo quanto por concorrentes que devem seguir escolhas de design semelhantes.

Gurman é direto ao afirmar que essa transição será mais lenta do que a dos smartphones em geral, e o motivo é o preço: a partir de US$2.000, o Duo custa mais do que dois iPhones “tradicionais” somados, com valores ainda mais altos em alguns mercados fora dos Estados Unidos. E isso não se aplica somente ao dobrável da Apple, é claro.

Para o jornalista, essa barreira deverá ceder aos poucos, tanto pela queda natural do custo dos componentes ao longo do tempo quanto pela expansão internacional do programa de leasing , hoje restrito aos EUA — o que permitiria à Maçã, no futuro, colocar o valor da mensalidade no centro do marketing do aparelho, em vez do preço integral.

Uma “família” de iPhones dobráveis a caminho

Gurman também aposta que a Apple não ficará restrita a um único modelo: assim como fez com o iPad e, mais recentemente, com o próprio iPhone (Air, Pro, Pro Max), a empresa poderá expandir a linha Duo com variações — cita, como exemplos especulativos, um eventual “iPhone Duo Max” com tela maior, bem como possíveis “Duo SE” ou “Duo mini”, com especificações mais simples ou formato clamshell, respectivamente.

Segundo o jornalista, o próprio nome “Duo” — com três letras, como “Air” e “Pro” — teria sido escolhido justamente por deixar espaço para esses sufixos, ao contrário de “Ultra”, nome que teria sido cogitado internamente em algum momento antes do lançamento.

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Questionado se o Duo chegará a ganhar e câmera teleobjetiva, Gurman respondeu que aposta nesses dois recursos como prioridades da Apple para as próximas gerações do aparelho — mas não antes da terceira geração. Segundo ele, o desafio é físico: ambos os componentes exigem profundidade que o design fino do Duo não comporta hoje.

A aposta do jornalista é que a solução não virá apenas da miniaturização de componentes, mas também de avanços em inteligência artificial, permitindo à Apple usar sensores de profundidade e câmeras menos sofisticados e compensar parte da diferença por processamento computacional — algo que, segundo ele, deve aparecer primeiro na tecnologia de reconhecimento facial do próximo hub residencial inteligente da Apple.

Por fim, Gurman prevê que o iPhone Duo se tornará o dobrável dominante do mercado já no início de 2027, com demanda forte o suficiente para gerar revenda a preços inflados e escassez de estoque — inclusive superando, segundo ele, os problemas de abastecimento que a própria Apple vem enfrentando neste ano no Mac por causa do boom de IA.