Dois ex-executivos da Apple tomaram as manchetes nesta semana ao fazerem um balanço sobre empreendimentos recentes da Maçã: trata-se de Tony Fadell (conhecido como o “pai do iPod”) e Dag Kittlaus (cocriador e CEO 1 da Siri Inc., posteriormente adquirida pela Apple).
Os dois executivos históricos comentaram as empreitadas recentes de sua antiga firma, como o Apple Vision Pro e os investimentos e parcerias da empresa em relação à inteligência artificial (IA).
As falas de Fadell repercutidas na imprensa ocorreram no podcast de tecnologia Newcomer, onde ele abordou a possibilidade de um pin de IA feito pela Maçã, pontuando que a expertise e o know-how da Apple são decisivos para que a empresa entre nesse setor com alguma vantagem.
Já sobre a posição da sua antiga empresa com inteligência artificial, o executivo foi mais duro: considerou o marketing dos MacBooks e do iPhone 16e (veiculados como “dispositivos de IA”) uma “besteira”, alegando que nunca viu algo assim partindo da Apple anteriormente.
Sobre o potencial da empresa com IA, Fadell pareceu mais aberto, explicando sua opinião sobre o Vision Pro e o potencial que a Apple pode ter frente aos grandes modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês):
O Apple Vision Pro é um fracasso abjeto, mas é um feito técnico incrível do ponto de vista tecnológico. Eles ainda conseguem fazer coisas incríveis.
A questão é: eles ainda têm o “product chops” de antes? A capacidade de construir um conjunto completo, a experiência de usuário impecável e conectar todas as partes para fazer tudo funcionar junto?
E é isso que fez, sabe, que foi realmente relevante para a Apple ser o que é hoje.
[…]Bem, a coisa fundamental a se entender é que LLMs possuem problemas fundamentais. Eles têm problemas fundamentais no jeito em que foram criados, e é por isso que eles alucinam. A não ser que você tire esse escopo e eles sejam treinados em informações cujo contexto são informações muito, muito específicas, ao invés desses modelos gigantes que podem alucinar porque eles não sabem se você está falando de leis, medicina, tanto faz. Ele tenta ser um “sabe tudo”. […] Então, voltando especificamente para LLM, se a Apple tiver modelos muito, muito específicos para consumidores em determinados contextos, pode funcionar muito bem.
Já Kittlaus falou sobre a Apple em uma entrevista à Bloomberg, alegando que a companhia está em uma “boa posição” atualmente, sendo possível fazer um balanço de terceiro ano sobre o desenvolvimento proprietário de IA em busca de alocar o seu investimento em áreas “qualificadas” do setor.
Já sobre seu antigo produto, a Siri, ele expressa otimismo em relação à parceria com o Gemini:
Enquanto nós falamos, a Siri está numa mesa cirúrgica sendo operada com um transplante de cérebro nessa parceria com o Gemini. Isso deve elevar o nível intelectual da Siri para um nível de última geração. E isso é essencialmente o fator mais limitante em como ela pode ajudar você enquanto usuário e pessoa a tirar mais proveito. Há outras coisas que podemos falar em termos de como a Apple pode, de maneira singular, obter vantagem naquilo que é feito para diferenciar o que ela faz do restante. Mas sim, eu diria, sabe, ter uma relação com o Google e a integração com o Gemini, sabe, ter pago 20 bilhões de dólares por ano e ter o Google como mecanismo de busca padrão no iPhone. E agora eles têm um bilhão de dólares anuais para lidar com o acesso ao mais recente e o melhor, sabe, modelo de linguagem do mundo.
Fadell saiu da Apple em 2011 e hoje lidera a Build Collective (uma empresa de consultoria em investimento); Kittlaus a deixou logo após o lançamento do iPhone 4s, também em 2011, e atualmente é presidente da Buildz (uma plataforma de gestão voltada ao setor de construção civil).
via AppleInsider