A Lua está se afastando da Terra — e um laser mede isso

A Lua está se afastando da Terra — e um laser mede isso

A Lua está se afastando da Terra cerca de 3,8 centímetros por ano. Cientistas conseguem acompanhar esse movimento usando pulsos de laser enviados da Terra para retrorrefletores instalados na superfície lunar. A técnica permite medir a distância Terra-Lua com precisão extraordinária.

O segredo está nos retrorrefletores lunares, dispositivos ópticos que devolvem a luz na direção de onde ela veio. Astronautas das missões Apollo 11, Apollo 14 e Apollo 15 instalaram três conjuntos na Lua. Duas missões soviéticas também levaram equipamentos semelhantes: a Luna 17, com o rover Lunokhod 1, e a Luna 21, com o Lunokhod 2.

Vista espacial da superfície cheia de crateras da lua com um fundo espacial cheio de estrelas
Equipamentos deixados na Lua há décadas ainda permitem medir seu lento afastamento da Terra. – Imagem: Alones Creative/iStock

Um laser mede a distância até a Lua

O procedimento parece simples. Um observatório terrestre dispara um pulso de laser em direção a um retrorrefletor. O equipamento devolve uma pequena fração da luz, que é detectada novamente na Terra.

Ao medir o intervalo entre o envio e o retorno do pulso, os pesquisadores calculam a distância percorrida pela luz. Como ela viaja a uma velocidade conhecida, pequenas diferenças no tempo de viagem revelam mudanças na posição da Lua.

Na prática, a tarefa é bastante difícil. A Lua fica a aproximadamente 385 mil quilômetros da Terra, em média, e o feixe de laser se espalha ao atravessar a atmosfera. Apenas uma quantidade minúscula da luz enviada consegue retornar ao equipamento terrestre.

Mesmo assim, décadas de observações permitem acompanhar o movimento lunar com grande precisão. Os retrorrefletores continuam sendo usados em estudos de dinâmica do sistema Terra-Lua e de gravidade.

Os equipamentos dos Lunokhod também têm uma história curiosa. Os retrorrefletores instalados nos dois rovers soviéticos foram fabricados na França e levados à superfície lunar pelas missões soviéticas. O Lunokhod 1, que havia ficado sem localização precisa durante décadas, foi reencontrado em 2010, permitindo novamente medições a laser em seu retrorrefletor.

Terra vista da Lua
O mesmo processo que afasta a Lua também contribui para deixar os dias terrestres ligeiramente mais longos.
– Imagem: buradaki/iStock

As marés fazem a Lua se afastar

O afastamento lunar está ligado às marés, causadas principalmente pela atração gravitacional da Lua sobre os oceanos terrestres. Como a Terra gira mais rapidamente do que a Lua completa sua órbita, a distribuição das marés fica ligeiramente adiantada em relação à posição do satélite.

Essa configuração permite que parte do momento angular, uma grandeza associada ao movimento de rotação e de órbita, seja transferida da Terra para a Lua.

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Na prática, a Terra perde lentamente parte de sua velocidade de rotação. A Lua, por sua vez, ganha energia orbital e passa a ocupar uma órbita um pouco mais distante. O resultado observado hoje é um afastamento médio de aproximadamente 3,8 centímetros por ano.

Isso não significa que a Lua esteja simplesmente escapando da gravidade terrestre. Ela continua presa à Terra pela gravidade e permanece em órbita. A mudança acontece de forma extremamente lenta.

O mesmo processo também afeta a duração dos dias. A fricção de maré desacelera a rotação terrestre e contribui para tornar os dias gradualmente mais longos. A contribuição associada às marés é estimada em aproximadamente 2,3 a 2,4 milissegundos por século.

Esse número não significa que todos os dias tenham exatamente essa duração adicional. A rotação da Terra também sofre influência de outros fenômenos, incluindo mudanças na atmosfera, nos oceanos, no núcleo do planeta e na distribuição de gelo e água.

Na rotina, a diferença é imperceptível. Mas instrumentos capazes de medir o tempo e a rotação terrestre conseguem detectar essas pequenas variações. Assim, um conjunto de equipamentos instalado na Lua há mais de cinco décadas continua ajudando os cientistas a acompanhar uma mudança que também acontece, lentamente, no relógio natural da Terra.

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