O julgamento que opõe Elon Musk à OpenAI ganhou mais um capítulo explosivo. Sam Altman, CEO da empresa de inteligência artificial, está depondo nesta terça-feira (12) em um tribunal da Califórnia e revelou detalhes inéditos das negociações de 2017 sobre o futuro da startup. Segundo Altman, Musk insistia em ter controle completo sobre uma subsidiária com fins lucrativos da OpenAI — mas se recusava a assinar qualquer contrato que formalizasse o acordo.
“Um momento particularmente assustador foi quando meus cofundadores perguntaram ao Sr. Musk: ‘Se você tem controle, o que acontece quando você morrer?'”, relatou Altman aos jurados. “Ele disse algo como: ‘Eu não pensei muito nisso, mas talvez eu devesse passar para meus filhos.’ Eu não me senti confortável com isso”, acrescentou.

Disputa pelo controle
Musk, que na época era o maior financiador da OpenAI, achava que sua participação financeira deveria se refletir em mais poder de decisão. Ele havia prometido U$ 1 bilhão, mas acabou doando cerca de U$ 38 milhões em forma de contribuições trimestrais e pagamento de aluguel do espaço de escritório. Já Altman afirmou ter contribuído com US$ 3,75 milhões no início e distribuído ações que detinha para funcionários nos primeiros dias — e alegou não possuir participação acionária direta atualmente.
Durante o depoimento, Altman também criticou a postura de Musk em relação ao trabalho em equipe. “Uma das coisas mais especiais sobre a OpenAI tem sido nosso incrível espírito de equipe. E me lembro nessas conversas, senti que Elon realmente não entendia isso e não estava valorizando.”
Musk deixou o conselho da OpenAI em 2018 e parou de pagar o aluguel do escritório em 2020. A saída, segundo Altman, afetou a empresa “de cima a baixo” e gerou dúvidas sobre a capacidade de captação de recursos sem ele. “As pessoas se perguntavam se ele se vingaria de nós ou algo assim.”

Desfecho incerto
O processo movido por Musk pede dezenas de bilhões de dólares em danos e o desfazimento da conversão da OpenAI em uma empresa com fins lucrativos, concluída em outubro. Ele também quer a remoção de Altman e do presidente Greg Brockman de seus cargos de liderança. A OpenAI rebate que a ação é uma tentativa de minar um concorrente da própria empresa de Musk, a xAI.
O julgamento também expôs críticas a ambos os lados. A ex-CTO Mira Murati, em depoimento em vídeo, disse que Musk “criava caos” entre os executivos e que Altman a “minava” e nem sempre dizia a verdade. O cofundador Ilya Sutskever afirmou que cogitava preocupações com a liderança de Altman havia um ano antes de participar da demissão do CEO em 2023 — Altman retornou cinco dias depois, sob pressão dos funcionários.
A animosidade entre os dois bilionários ficou evidente. Musk já chamou Altman de “mentiroso” e “trapaceiro”. Altman, por sua vez, respondeu que Musk age por insegurança e que sente “pena do cara”. O desfecho do caso pode redefinir o futuro da OpenAI e o equilíbrio de poder na indústria de inteligência artificial.
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