Um simulador desenvolvido por pesquisadores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e da VertiMob Infrastructure reproduziu pousos, decolagens e o fluxo de passageiros de futuros carros voadores no Aeroporto de São José dos Campos, no interior de São Paulo. O projeto prevê embarque em até 15 minutos.
A primeira fase terminou nesta semana, e os resultados foram enviados à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Agora, os responsáveis planejam levar parte dos testes para um vertiporto físico.

Aeroporto ganha versão digital
Para estudar como seria a operação dos eVTOLs, a equipe criou um “gêmeo digital” do aeroporto. O modelo reproduz diferentes cenários e considera variáveis como vento, temperatura, chuva, obstáculos e trajetórias.
O sistema também ajuda a calcular áreas de segurança. Uma rajada de vento, por exemplo, pode alterar a posição da aeronave e exigir uma zona de proteção específica.
“A gente desenvolveu o que a gente chama de um gêmeo digital, um conjunto de simulações muito perto do que vai ser a operação real”, explicou o professor Marcelo Guterres, da Divisão de Engenharia Civil do ITA, ao g1.
O trabalho faz parte da primeira fase de um Sandbox Regulatório de Vertiporto, desenvolvido em parceria com o aeroporto. A ideia é entender como os eVTOLs poderiam operar em diferentes situações antes da realização dos testes físicos.
Passageiros também são testados
O simulador não olha apenas para o que acontece no ar. Ele reproduz o caminho do passageiro dentro do terminal, desde a entrada até o momento do embarque.
O prazo considerado pelo projeto é concluir esse processo em até 15 minutos. O modelo também permite descobrir onde podem surgir atrasos e medir o efeito de uma falha sobre os voos seguintes.
Entre os pontos analisados estão:
- fluxo de passageiros;
- possíveis gargalos no embarque;
- falhas em equipamentos;
- carregamento das baterias;
- resfriamento das baterias.

Vertiporto deve sair do ambiente virtual
A segunda fase prevê a construção de um vertiporto para repetir, no mundo real, parte do que foi testado no simulador. O local ainda está em discussão. Uma das possibilidades fica próxima à “rosa dos ventos” do aeroporto; outra, perto do terminal e do pátio.
A ideia é que a gente faça um terminal, um vertiporto real para fazer os testes e aquele vertiporto sirva para o aeroporto como um vertiporto comercial no futuro.
Bruno Limoeiro, CEO da VertiMob, ao g1.
A intenção é ter o terminal pronto até o fim deste ano. A localização, porém, ainda depende das discussões com a ANAC.
A agência recomenda que vertiportos para eVTOLs adotem, com adaptações, requisitos mínimos de segurança usados em operações com helicópteros. Segundo o texto, a própria ANAC reconhece que aplicar todas essas regras pode ser mais caro do que o necessário diante das características das aeronaves elétricas.
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A primeira fase produziu cerca de 800 páginas de estudos. O material será analisado pela agência, que poderá pedir novos trabalhos. A conclusão da próxima etapa é prevista para o fim de 2027, mas o prazo ainda pode mudar.
Por enquanto, o projeto não significa que os carros voadores começarão a operar comercialmente em São José dos Campos. Ainda são necessários testes práticos, avaliação regulatória e certificação dos eVTOLs.
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