Vale a pena para quem gosta de RPG de história com muita leitura e curte a ambientação cyberpunk. O jogo é vendido a um preço acessível, mas quem for atraído pelos diferentes caminhos que o jogo oferece, talvez não seja para você.
Prós:
- Arte marcante
- Clima noir e trilha sonora boa
- Sistema de dados cria tensão e é original
Contras:
- Softlocks são possíveis
- Ilusão de impacto das escolhas
- Não há tradução em português
Sobre a história de Celestial Return

Netherveil City está apodrecendo. Suas ruas vivem sob neon, seus mortos voltam a se mexer e uma série de mortes sem explicação começa a chamar atenção. O detetive Howard, com um distintivo enferrujado e uma rosa senciente chamada Rose, aceita o caso e mergulha numa investigação que passa por bares, cemitérios e esgotos. Ao longo do caminho, o jogo discute o papel da arte e da resistência sob um regime que sufoca a expressão. É uma história sobre os esquecidos de uma cidade que só valoriza os fortes.
O que é Celestial Return
Celestial Return é um RPG de história (gênero em que o jogador assume um personagem e decide seus rumos) ambientado num cenário cyberpunk noir. Foi desenvolvido pela Metaphor Games e publicado pela Shoreline Games, e saiu em 14 de julho de 2026, por enquanto só para PC via Steam, por US$ 14,99. Versões para PlayStation, Xbox e Nintendo estão previstas para o começo de 2027. A campanha é curta: três capítulos, algo entre 4 e 6 horas na primeira jogada. Você controla o detetive Howard, acompanhado de uma rosa falante chamada Rose, numa investigação sobre uma série de mortes na decadente Netherveil City.
Se você jogou Disco Elysium, vai reconhecer o formato quase de imediato: muito texto, escolhas de diálogo e uma investigação que depende mais de conversa do que de ação. Mas Celestial Return troca a rolagem tradicional por uma ideia própria, e é aí que ele mais se destaca e também mais se complica.
A arte é o carro-chefe

A direção de arte é o ponto que reúne consenso. O traço desenhado à mão mistura mangá e HQ americana, com referências assumidas a obras como Akira e Berserk, e o uso de sombra e preto reforça o peso da cidade. A produtora afirma que nenhuma imagem foi feita com inteligência artificial, e o cuidado aparece nos retratos e nos cenários. Nas horas que passei em Netherveil, foi a arte que me segurou na cadeira mesmo quando o resto tropeçava.
Clima noir e trilha sonora carregam a imersão
Celestial Return é mais lido do que jogado, então som e ambientação precisam fazer o trabalho pesado. E fazem. A trilha passeia por jazz noir, música eletrônica e metal, e casa com o tom sujo da cidade. O clima se mantém consistente, sustentando a sua atenção até mesmo nos trechos mais parados. Para quem nunca encarou um RPG de história, funciona muito bem como uma porta de entrada. É um convite acessível a um gênero que costuma intimidar pela quantidade de texto.
Os dados criam uma tensão que dá certo
A mecânica central é o que dá personalidade ao jogo. Os dados não são só para rolagem, mas funcionam também como recurso e moeda. Cada dado usado some para sempre, e as formas de repor são limitadas. Isso cria uma tensão constante. Gastar agora para arrancar uma informação, ou guardar para um momento mais decisivo? Cada escolha carrega peso, e essa premissa prende o jogador.
Onde o jogo tropeça: nos dados (ou será que não?)

Sim, parece contraditório que o problema mais sério nasça da própria mecânica que o jogo acerta. Como os dados podem acabar e não sobram formas fáceis de conseguir mais, dá para ficar preso. Por exemplo, ficar sem dados para passar num teste e, sem outra saída, o jeito é recarregar um save antigo ou recomeçar. A estrutura lembra as aventuras da Sierra dos anos 1990, quando um erro cedo podia inviabilizar o resto. Num jogo de seis horas, refazer trechos longos por causa disso pode frustrar. Esse tipo de “softlock” (uma situação em que o jogador fica preso e não consegue progredir) com certeza vai gerar polêmica. Alguns vão dizer que isso faz parte da premissa do jogo; outros podem dizer que é uma decisão ruim de design.
Os bugs foram o maior empecilho
O sistema de salvar e carregar dá aquela tropeçada de vez em quando. Um save que não abre; o botão de continuar que do nada some; um botão que demora para responder. Nada que arruine a experiência, mas pesa num jogo que vive da narrativa. A boa notícia é que a Metaphor Games vem soltando correções em ritmo rápido, então a tendência é que esses tropeços fiquem para trás a cada atualização.
Ilusão de escolha e deslizes de imersão
A trama decepciona nesse ponto. Apesar das similaridades com Disco Elysium, o jogo é bem mais linear do que a inspiração sugere. Mesmo passando nos testes de dados, a história muitas vezes segue para o mesmo lugar, o que esvazia o sentido de ter gasto dados naquela escolha. Além disso, os finais soam parecidos entre si.
Também há alguns deslizes de imersão. Por exemplo: a escrita repete estruturas e, em certo momento, usa o nome “Uber” em vez de um termo próprio do mundo do jogo, o que destoa do cenário.
O visual, tão elogiado, também tem inconsistências. Como o detetive Howard, que aparece diferente no menu, no mapa e no retrato de diálogo.
Veredito

Celestial Return é uma estreia que mostra potencial mesmo com algumas falhas. A arte, o clima e a ideia dos dados justificam a jogatina, mesmo com possíveis softlocks e bugs de save que cobram a paciência de quem está jogando. Para um veterano do gênero, são tropeços que incomodam.
A maior barreira do jogo é a linguagem. O jogo, atualmente, não possui tradução em português. Para um jogo com foco totalmente na narrativa e em leitura pesada, a não ser que você tenha um inglês avançado ou nativo, a leitura rapidamente fica cansativa.
Para quem está chegando agora aos RPGs de história e não se incomoda com a leitura em inglês, é difícil pensar num convite melhor. As barreiras da narrativa e da leitura pesada assustam menos quando a ambientação prende do jeito que Celestial Return faz, e a mecânica de dados ensina que as escolhas têm consequência. Só é uma pena que essas escolhas tenham consequências somente na progressão, em vez de na narrativa.
Onde comprar Celestial Return e o que considerar antes
- Preço: R$ 26,39 na Steam, com 20% de desconto de lançamento até 28/07.
- PT-BR: Não. Somente em inglês
- Plataformas: PC (Steam)
- Multiplayer: Não. Apenas campanha solo.
- Classificação: 16 anos
- Conteúdo extra: Há um Artbook vendido à parte na Steam.
Requisitos PC (mínimos):
- Sistema: Windows 10 64-bit
- Processador: dual-core 1.8 GHz
- Memória: 8 GB de RAM
- Placa de vídeo: gráficos integrados
- Tamanho: 8 GB
Ficha técnica de Celestial Return
Nome: Celestial Return
Desenvolvedora: Metaphor Games
Publicadora: Shoreline Games
Gênero: RPG de história / cyberpunk noir
Data de lançamento: 14 de julho de 2026 (PC)
Plataformas: PC (Steam) | PlayStation, Xbox e Nintendo previstos para 2027
Modos de jogo: Campanha solo
Idiomas BR: Não
Classificação indicativa: A verificar
Preço: R$ 26,39 (20% desc)
Duração média: 4 a 6 horas (campanha principal)

O post Celestial Return review: um RPG cyberpunk inspirado em Disco Elysium apareceu primeiro em Olhar Digital.