Conforme noticiado pelo Olhar Digital, o cometa 29P/Schwassmann-Wachmann, conhecido por seus “vulcões de gelo”, entrou em erupção na terça-feira (10) – um dos episódios mais violentos das últimas duas décadas e o mais poderoso desde 2022.
De acordo com a plataforma de climatologia e meteorologia espacial Spaceweather.com, a Associação Astronômica Britânica (BAA) relatou que o núcleo do cometa teve um aumento repentino de brilho de mais de 100 vezes, indicando que que uma grande explosão estava em curso.
Uma imagem impressionante capturada pelo astrônomo amador e astrofotógrafo Anthony Kroes revela que o objeto assumiu um formato curioso após o evento: um espiral semelhante a um fóssil de amonite (aqueles antigos animais marinhos extintos com conchas enroladas, parecidas com um caracol).

Kroes relatou que, inspirado na notícia da erupção recente do cometa 29P, ele decidiu tentar fotografar o corpo celeste e se surpreendeu com o resultado. “A aparência de concha de caracol era detectável em uma única exposição de três minutos”, disse ele na legenda da imagem enviada ao Realtime Image Gallery, do Spaceweather.
A espiral surgiu a partir, provavelmente, de uma única abertura ativa na superfície do cometa. Por esse ponto, o material interno foi lançado ao espaço em alta velocidade.

Erupções de cometas expelem “magma gelado”
Diferentemente dos vulcões da Terra, que liberam lava quente, cometas criovulcânicos como o 29P expelem substâncias extremamente frias. Esse “magma gelado” é formado por hidrocarbonetos líquidos, como metano, etano e propano, misturados com dióxido de carbono dissolvido. Ao escapar para o espaço, essa mistura se expande rapidamente, criando grandes nuvens de gás e poeira.
A rotação do núcleo do cometa ajuda a moldar o material expelido. Enquanto o jato é lançado, o corpo celeste continua girando, o que faz a pluma se torcer e ganhar aparência espiralada. O resultado é um desenho cósmico raro, visível mesmo em telescópios de pequeno porte.

Especialistas comparam o comportamento do 29P a uma lata de refrigerante chacoalhada. Quando uma fissura se abre na superfície, a pressão interna acumulada provoca uma explosão repentina. Esse processo é chamado de criovulcanismo, fenômeno associado a objetos ricos em gelo e compostos voláteis.
Leia mais:
- Cometa Hale-Bopp pode revelar as origens da vida na Terra (e fora dela)
- Novas imagens mostram cometa “dourado” se desintegrando após encontro com o Sol
- 10 curiosidades sobre os cometas que você não sabia
Objeto explodiu novamente cinco dias depois
Grandes erupções como essa costumam ser seguidas por novos episódios menores. Foi exatamente o que ocorreu dias depois, no domingo (15), quando outra explosão foi registrada. Segundo o astrônomo amador Eliot Herman, o evento teve intensidade bem inferior à anterior, mas já produziu uma nova camada brilhante de detritos ao redor do núcleo.
Essas sucessivas explosões ajudam cientistas a entender melhor a composição e o funcionamento interno dos cometas. O 29P é considerado um dos objetos mais ativos do Sistema Solar, tornando-se um verdadeiro laboratório natural para estudar como gelo, gás e poeira interagem no espaço profundo.
O post Cometa criovulcânico assume forma espiral após explodir apareceu primeiro em Olhar Digital.