Acionistas abriram um processo contra o conselho da Uber, alegando negligência na supervisão de normas de compliance e segurança, especialmente em casos de assédio e agressão sexual envolvendo motoristas.
A ação foi apresentada em um tribunal federal de San Francisco e aponta que falhas internas teriam levado a milhares de processos judiciais, afirma matéria da Reuters no G1.

Ação mira governança e decisões internas
Na avaliação dos acionistas da Uber, o conselho de administração não teria atuado com a firmeza necessária na supervisão das práticas de segurança e conformidade. Isso, segundo eles, teria aberto espaço para a repetição de casos de assédio e agressão sexual envolvendo motoristas ao longo dos anos.
O processo, movido por um fundo de pensão de Detroit, sustenta ainda que alertas internos e externos foram ignorados. O resultado, dizem os investidores, foi um acúmulo de problemas: mais risco jurídico, mais pressão regulatória e desgaste na imagem da empresa.
- denúncias internas e externas sobre segurança de passageiros teriam sido ignoradas
- milhares de ações judiciais envolvendo conduta de motoristas
- falhas de conformidade e governança corporativa
- críticas sobre cobrança e cancelamento de corridas
Processos aumentam pressão regulatória
Em um dos trechos mais duros da ação, os autores do processo afirmam que a empresa seria uma “infratora reincidente em matéria de conformidade”. A frase aparece como síntese das críticas sobre a atuação da companhia diante de problemas recorrentes.
Até junho, já eram mais de 3.500 ações supervisionadas em tribunais de San Francisco relacionadas a conduta sexual imprópria. Um número que, segundo os acionistas, ajuda a dimensionar a gravidade do problema.
Recentemente, a Uber Technologies e a Lyft entraram com uma ação contra a cidade de Nova York. A ideia é tentar barrar uma nova lei que, na visão das empresas, dificultaria a exclusão de motoristas considerados inadequados.

Governança, investidores e impacto no mercado
O nome do atual presidente-executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, também aparece no processo. Segundo os acionistas, ele adotou uma postura menos agressiva que a gestão anterior, mas manteve uma linha de contenção de custos que, na prática, pode ter enfraquecido mecanismos de conformidade.
As ações da empresa acumulam queda superior a 25% desde o pico mais recente.
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Para os investidores, a chamada ação derivativa tenta responsabilizar diretamente os diretores por supostas violações de deveres fiduciários e da legislação de valores mobiliários. Em outras palavras, é uma tentativa de fazer com que eventuais prejuízos retornem para a própria companhia.
Esse tipo de processo costuma aparecer quando acionistas entendem que a gestão deixou passar sinais importantes e não agiu com o cuidado esperado.
Em meio às acusações, a Uber não comentou o caso de imediato. Enquanto isso, investidores seguem pressionando por mudanças na governança e por regras mais rígidas de segurança e compliance dentro da empresa.
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