Encontramos extraterrestres. E agora? Cientistas definem “manual alienígena”

Encontramos extraterrestres. E agora? Cientistas definem “manual alienígena”

A busca por inteligência extraterrestre ganhou novas diretrizes. O SETI atualizou seus procedimentos para evitar que sinais ainda não confirmados ou conteúdos falsos gerados por inteligência artificial sejam apresentados como descobertas.

As mudanças, segundo o New Atlas, definem como pesquisadores devem analisar evidências, divulgar resultados e agir diante de um possível contato com outra civilização.

ET aliengena Terra fake news
Na era dos deepfakes, cientistas reforçam a análise antes de anunciar qualquer possível contato extraterrestre. – Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini

SETI quer impedir que suspeitas virem “descobertas”

O comitê de Busca por Inteligência Extraterrestre (SETI) da Academia Internacional de Astronáutica revisou suas orientações pela primeira vez em mais de 15 anos. A atualização responde a um ambiente digital mais difícil de controlar, com deepfakes, desinformação automatizada e informações sem comprovação circulando rapidamente.

A preocupação dos cientistas é evitar que um sinal incomum seja tratado como prova de vida extraterrestre antes de passar por análises independentes. A ideia segue um princípio associado ao astrônomo Carl Sagan: “afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias”.

Em uma era de deepfakes, desinformação automatizada e conectividade global instantânea, uma única afirmação não verificada pode desencadear confusão ou pânico.

Michael Garrett, astrônomo da Universidade de Manchester e presidente do comitê SETI da IAA, em nota.

O que os cientistas devem fazer diante de um possível sinal?

As novas orientações estabelecem uma série de etapas antes de qualquer anúncio público. Um possível sinal ou artefato precisa ser confirmado por instituições independentes, usando equipamentos diferentes e passando por avaliação científica.

Entre as principais recomendações do SETI estão:

  • confirmar sinais ou evidências com observatórios independentes;
  • compartilhar informações para análise de outros pesquisadores;
  • evitar divulgação antes da confirmação completa;
  • seguir procedimentos internacionais em caso de contato.

As regras também tratam de uma situação mais delicada: uma eventual mensagem enviada por uma inteligência extraterrestre. O consenso atual é que nenhum cientista deve responder individualmente.

Segundo o SETI, uma resposta desse tipo seria uma decisão de toda a humanidade. Por isso, o pesquisador ou instituição responsável pela descoberta deveria procurar o secretário-geral das Nações Unidas para iniciar consultas internacionais.

onde está vida extraterrestre
Cientistas criaram novas etapas para validar sinais espaciais antes de compartilhar possíveis descobertas. – Crédito: DALL-E/Olhar Digital

Nova regra tenta conter o sensacionalismo científico

Além de orientar pesquisadores, a atualização busca reduzir o impacto de anúncios exagerados sobre possíveis descobertas. Steven Desch, professor de astrofísica da Universidade Estadual do Arizona, classificou a mudança como positiva e afirmou que estamos “inundados de desinformação”.

Leia mais:

Na visão dos especialistas, uma anomalia nos dados não deve ser transformada imediatamente em uma descoberta. O processo precisa passar por confirmação, revisão e consenso científico.

“Não gritamos ‘alienígena’ no momento em que vemos um sinal estranho. O método científico exige que verifiquemos, verifiquemos novamente e, em seguida, peçamos a outros que verifiquem”, disse Michael Garrett na declaração do SETI.

Com as novas diretrizes, o SETI busca estabelecer um caminho mais seguro para lidar com uma das descobertas mais esperadas da ciência: um possível sinal de inteligência fora da Terra.

O post Encontramos extraterrestres. E agora? Cientistas definem “manual alienígena” apareceu primeiro em Olhar Digital.