A disputa entre as maiores empresas de tecnologia do mundo pela liderança no mercado de inteligência artificial está elevando a pressão sobre a cadeia global de chips semicondutores. E tem uma empresa que pode se beneficiar dessa corrida bilionária: a taiwanesa TSMC.
Microsoft, Meta, Alphabet e Amazon planejam investir juntas cerca de US$ 725 bilhões em 2026, com boa parte desse valor direcionada à infraestrutura de IA e à compra de chips avançados. O movimento reforça ainda mais a posição estratégica da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., principal fabricante terceirizada de semicondutores do planeta.
A companhia produz os chips mais avançados usados por empresas como Nvidia e Apple, consolidando-se como a principal fornecedora da nova geração de hardware voltada à inteligência artificial.
Nos últimos meses, investidores passaram a olhar com atenção para outros segmentos da indústria de semicondutores, especialmente fabricantes de memória. Nesse cenário, Intel e AMD também ganharam espaço.
Ainda assim, analistas consultados pelo The Wall Street Journal enxergam a TSMC como uma das empresas mais bem posicionadas para lucrar com a nova fase da inteligência artificial.
A força dessa demanda já aparece nos resultados financeiros da fabricante. As margens brutas da companhia chegaram a aproximadamente 66% no primeiro trimestre, acima dos cerca de 59% registrados no mesmo período do ano anterior. O avanço reflete o alto nível de utilização de suas fábricas.
Segundo o diretor financeiro da empresa, Wendell Huang, as margens devem sofrer alguma pressão ao longo do segundo semestre por conta da transição para a produção em larga escala da nova geração de chips da companhia, batizada de N2. A mudança exige investimentos pesados e aumenta os custos no curto prazo, embora a tendência seja de estabilização.
Outro fator que pesa sobre as despesas é a expansão da TSMC nos Estados Unidos. Produzir semicondutores em território americano é mais caro do que em Taiwan, mas a companhia considera o movimento estratégico para reduzir riscos geopolíticos envolvendo a China e se aproximar de clientes americanos como Apple e Nvidia.
O volume de investimentos também chama atenção. A gigante informou recentemente que seus gastos de capital devem ficar próximos do teto da projeção anual, entre US$ 52 bilhões e US$ 56 bilhões.
Tradicionalmente, expansões aceleradas são um risco no setor de semicondutores, já que possíveis quedas na demanda podem deixar fábricas ociosas. Mesmo assim, a empresa afirma estar confortável com o cenário atual.
Além disso, o CEO da TSMC, CC Wei, declarou no mês passado ter “grande confiança” de que a receita da companhia crescerá mais de 30% neste ano – mais do que os investimentos.

Demanda pela IA está beneficiando TSMC
A demanda pelos chips da TSMC é tão intensa que alguns clientes já estão pagando bilhões de dólares antecipadamente para garantir acesso à produção futura.
A Nvidia, por exemplo, encerrou seu último trimestre fiscal com mais de US$ 95 bilhões em compromissos de compra, contra apenas US$ 16 bilhões registrados dois anos antes. Parte significativa desses contratos está ligada à produção da taiwanesa.
Outro diferencial importante para a companhia é a baixa concorrência no segmento mais avançado da indústria. Embora existam competidores relevantes em tecnologias anteriores, a TSMC domina a fabricação dos chips mais sofisticados e desejados pelas empresas que lideram o boom da IA.
A Samsung aparece como a segunda maior fabricante terceirizada do setor, mas ainda distante em receita e escala tecnológica. Intel e a japonesa Rapidus também tentam ganhar espaço, enquanto projetos mais ambiciosos, como o Terafab anunciado por Elon Musk em parceria com a Intel, seguem em estágio inicial.
A combinação entre demanda elevada e concorrência limitada abre espaço para reajustes de preços. Ainda assim, a TSMC afirma buscar equilíbrio para não pressionar excessivamente seus clientes.
Apesar da posição dominante no setor, as ações da companhia ainda são vistas por parte do mercado como relativamente baratas. Os papéis da TSMC são negociados atualmente a cerca de 21 vezes os lucros futuros estimados, abaixo da média do índice de semicondutores da Filadélfia e também inferior à avaliação de empresas como Intel e AMD.
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