Fatal Fury: City of the Wolves review: vale a pena o retorno da SNK?

Fatal Fury: City of the Wolves review: vale a pena o retorno da SNK?

Veredito: Recomendado

Nota: 8 / 10

Prós:

  • Visual de HQ vibrante e único
  • Netcode rápido e estável
  • Roster carismático e inusitado

Contras:

  • Modo história estático e datado
  • Interface confusa, sem mouse no PC
  • REV System intimida no começo

Fatal Fury: City of the Wolves é um jogo de luta em 2D e o primeiro título inédito da série Fatal Fury em mais de 25 anos. O sucessor direto de Garou: Mark of the Wolves, de 1999. Desenvolvido pela SNK, encerra o arco do lutador Rock Howard e traz um elenco que começou com 17 personagens no lançamento, misturando veteranos da franquia com convidados de peso. O jogo estreou em 24 de abril de 2025 para PS4, PS5 e Xbox Series X|S; na Steam (PC), a versão chegou depois, em 22 de janeiro de 2026. Há ainda uma versão para Nintendo Switch 2 marcada para 22 de outubro de 2026. A edição padrão custa R$ 59,99, e o jogo aposta em dois grandes pilares: o novo REV System, que aprofunda o combate, e dois esquemas de controle que atendem tanto o veterano quanto o novato. Há ainda o Episodes of South Town, um modo RPG para um jogador.

Quem acompanhou o boom dos jogos de luta nos anos 90 vai sentir a nostalgia bater forte. Mas City of the Wolves não vive só de passado: ele tenta modernizar a fórmula clássica da SNK para brigar de igual para igual com gigantes como Street Fighter 6 e Tekken 8. E, na maior parte do tempo, consegue.

Um visual de história em quadrinhos que salta aos olhos

Imagem: Rubber Chicken/ Reprodução

A primeira coisa que chama atenção é a direção de arte. City of the Wolves adota um visual ousado, inspirado em histórias em quadrinhos, com cores vibrantes, traços grossos e alto contraste. O resultado é uma identidade visual que remete aos fliperamas dos anos 90, mas em roupagem totalmente moderna. Cada golpe especial vem acompanhado de um estouro de cor e linhas dinâmicas, como se a tela virasse uma página de gibi em movimento.

Não é só firula. Esse estilo dá personalidade ao jogo num gênero em que muitos concorrentes apostam no realismo. Enquanto Tekken 8 persegue texturas fotorrealistas, City of the Wolves escolhe um caminho autoral, e isso o torna reconhecível à primeira olhada. Para quem cresceu jogando SNK, é a sensação certa de reencontro.

O REV System dá profundidade (com uma curva de entrada)

O coração da jogabilidade é o REV System, o conjunto de mecânicas novas que a SNK criou para esta edição. Ele funciona como um medidor estratégico: o jogador gasta esse recurso para turbinar tanto ações ofensivas quanto defensivas, mas precisa administrar o uso para não superaquecer o medidor e ficar vulnerável.

Vale ser honesto: o sistema é complexo e pode confundir no começo, especialmente para quem não vive de jogos de luta. Boa parte dessa dificuldade vem da própria natureza do gênero, que sempre exigiu estudo. O REV lembra de longe o sistema Drive de Street Fighter 6, mas tem identidade própria, e recompensa quem investe tempo em entendê-lo. Depois que a ficha cai, ele revela a camada estratégica que separa o botão apertado por acaso do golpe pensado.

Dois estilos de controle: para o veterano e para o novato

Imagem: Maxi-Geek/ Reprodução

A SNK entendeu que precisava reduzir a barreira de entrada, e o jogo oferece dois esquemas de controle. O Arcade Style é o tradicional, baseado em comandos técnicos e precisos, feito para os puristas que querem o desafio completo. Já o Smart Style permite executar combos e golpes especiais com comandos simplificados, ideal para novatos ou para uma partida casual entre amigos.

É uma solução elegante para um problema antigo do gênero. Quem nunca conseguiu decorar sequências de botões pode entrar na briga e se divertir de imediato, enquanto o jogador dedicado mantém acesso a toda a profundidade do sistema. Os dois esquemas convivem sem que um anule o outro.

O online funciona (e isso é meio caminho andado)

De nada adianta um jogo de luta excelente se o online é um desastre — e é aqui que muitos títulos tropeçam. City of the Wolves acerta em cheio: o netcode usa rollback (a tecnologia que suaviza a defasagem de conexão entre os jogadores) e, na prática, funciona bem e é rápido. As partidas online são fluidas, e encontrar oponentes é ágil.

Some a isso o crossplay entre plataformas, e o resultado é um ambiente online saudável, com uma base de jogadores unificada. Para um gênero que vive da competição contra outras pessoas, ter um online confiável é praticamente meio caminho andado para o sucesso.

Um roster carismático — e o mais inusitado dos últimos anos

Imagem: The Gamer/ Reprodução

O elenco é um dos grandes trunfos. Os personagens agradam, com destaque para os mais famosos: os convidados Ken e Chun-Li, vindos diretamente de Street Fighter, são um prato cheio para os fãs de luta e brilham no meio dos clássicos da SNK, como Terry Bogard. O jogo começou com 17 lutadores e, com as três temporadas de DLC, já soma 31 personagens em setembro de 2026 — número que deve chegar a 34 até o fim do ano, conforme o calendário anunciado.

E há a adição mais improvável de todas: Cristiano Ronaldo. O jogador de futebol é um personagem jogável completo, com moveset próprio construído em torno da bola e de chutes — não é uma simples fantasia para outro lutador. Ao lado dele, o jogo também trouxe o DJ Salvatore Ganacci ao elenco base. A dupla causou estranheza entre parte dos fãs e da crítica, que questionaram o encaixe dos convidados no universo do jogo. Curioso ou não, o fato é que a presença de um dos atletas mais conhecidos do planeta é o tipo de aposta que coloca a franquia no mapa de gente que jamais ouvira falar de Fatal Fury.

Episodes of South Town: um RPG para jogar sozinho

Nem só de brigas online vive o jogo. O Episodes of South Town (EOST) é um modo RPG para um jogador que rendeu diversão. Nele, o jogador explora um mapa, cumpre missões e evolui seus lutadores ao longo da jornada, ganhando experiência e ficando mais forte.

É um respiro bem-vindo para quem não quer só encarar outros jogadores. O modo dá contexto ao elenco, oferece objetivos de progressão e funciona como uma escola de gameplay: enquanto avança, o jogador acaba assimilando as mecânicas sem sentir que está treinando. Para quem compra jogo de luta e costuma ignorar o online, é um motivo real para levar o título.

Onde City of the Wolves fica devendo: a história

Imagem: PlayStation/ Divulgação

Nem tudo é acerto. O ponto mais fraco está na forma como o jogo conta a própria história. O modo história e as interações pecam por um formato estático: os diálogos aparecem em caixas de texto simples, sem cutscenes animadas mais elaboradas. Num momento em que os concorrentes diretos investem pesado em apresentação cinematográfica, City of the Wolves parece preso a uma geração anterior nesse quesito.

O conteúdo da narrativa até segura o interesse de quem é fã da série e quer ver o fim do arco de Rock Howard. Mas a embalagem desaponta. Falta o capricho de produção que o resto do jogo exibe com tanta confiança, como se o cuidado gasto na arte e no combate não tivesse chegado por completo à contação de história.

A interface tropeça, ainda mais no PC

O segundo tropeço é a interface. Apesar do visual estiloso que domina o jogo, alguns menus são confusos, com textos pequenos e navegação pouco intuitiva. É um contraste estranho: a arte das lutas é impecável, mas a organização das telas nem sempre acompanha.

No PC, o problema é maior. O mouse simplesmente não funciona na navegação, tudo precisa ser feito pelo teclado, o que deixa a experiência atrapalhada para quem joga na plataforma. Dá para entender que City of the Wolves é um jogo pensado primariamente para console e controle, e é assim que ele se sente melhor. Mas quem joga no PC merecia um suporte de interface mais bem-acabado.

Para quem vale a pena

Imagem: PlayStation/ Divulgação

Fatal Fury: City of the Wolves é uma recomendação fácil para os fãs de jogos de luta e para quem tem carinho pela SNK. O combate é profundo, o visual de quadrinhos é único no gênero, o online funciona como deveria e o elenco do clássico Terry ao inusitado Cristiano Ronaldo tem carisma de sobra. Os dois esquemas de controle garantem que tanto o veterano quanto o novato encontrem seu lugar, e o modo Episodes of South Town dá o que fazer para quem prefere jogar sozinho.

As ressalvas são reais, mas não afundam o pacote. A apresentação datada da história e a interface confusa (ainda mais no PC, sem suporte a mouse) incomodam, e o REV System pode intimidar nas primeiras horas. Nenhum desses pontos, porém, compromete o que importa num jogo de luta: a briga em si é excelente. Para quem entra pelo combate e pela competição, o retorno da lenda dos fliperamas vale muito a pena.

Onde comprar Fatal Fury: City of the Wolves e o que considerar

  • Preço: Standard Edition R$ 59,99; Legend Edition R$ 95,52 (40% off; de R$ 159,20); Revenge Edition R$ 199,00.
  • Está no Game Pass?: Não.
  • Está no PS Plus?: Não — disponível apenas para compra.
  • Português: Interface e legendas em português brasileiro. Sem dublagem (áudio em inglês e japonês).
  • Plataformas: PC (Steam), PS4, PS5, Xbox Series X|S. Versão para Nintendo Switch 2 prevista para 22 de outubro de 2026.
  • Multiplayer: Online competitivo com crossplay entre plataformas e netcode com rollback. Também tem modos locais e o RPG solo Episodes of South Town.
  • Classificação indicativa: 12 anos (ClassInd Brasil).
  • Edições e DLC: há três edições — Standard (R$ 59,99), Legend (R$ 95,52) e Revenge (R$ 199,00) —, com as versões superiores agregando season passes e conteúdos extras. O jogo recebe temporadas de personagens DLC de forma contínua desde o lançamento.
  • Requisitos de PC (mínimos): Windows 10 (64 bits) · Intel Core i5-7500 / AMD Ryzen 3 1200 · 8 GB de RAM · NVIDIA GTX 1060 (6 GB) / Radeon RX 580 (4 GB) · DirectX 12 · 60 GB de espaço.
  • Requisitos de PC (recomendados): Windows 10 (64 bits) · Intel Core i7-8700 / AMD Ryzen 5 3600 · 16 GB de RAM · NVIDIA RTX 2070 / Radeon RX 5700 XT · DirectX 12 · 60 GB de espaço.

Ficha técnica de Fatal Fury: City of the Wolves

  • Nome: Fatal Fury: City of the Wolves
  • Desenvolvedora / Distribuidora: SNK
  • Gênero: Luta (2D)
  • Motor gráfico: Unreal Engine 4
  • Data de lançamento: 24 de abril de 2025 (consoles); 22 de janeiro de 2026 (Steam/PC); 22 de outubro de 2026 (Switch 2)
  • Plataformas: PC (Steam), PS4, PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2
  • Modos de jogo: Um jogador (incl. Episodes of South Town), multiplayer local e online com crossplay
  • Elenco: 17 no lançamento; 31 em setembro de 2026 (com as três temporadas de DLC)
  • Idiomas BR: Interface e legendas em português brasileiro; áudio em inglês e japonês (sem dublagem PT-BR)
  • Classificação indicativa: 12 anos
  • Preço: Standard R$ 59,99 · Legend R$ 95,52 · Revenge R$ 199,00

Sobre a história de Fatal Fury: City of the Wolves

Ambientado na violenta South Town, City of the Wolves continua a saga iniciada em Garou: Mark of the Wolves e fecha o arco de Rock Howard, filho do vilão Geese Howard e criado pelo herói Terry Bogard. Dividido entre dois legados, os lutadores da cidade se enfrentam em um novo torneio enquanto velhas rivalidades e novas ameaças vêm à tona. É uma história feita para recompensar quem acompanha a franquia há décadas, amarrando pontas soltas deixadas pelo clássico de 1999.

O post Fatal Fury: City of the Wolves review: vale a pena o retorno da SNK? apareceu primeiro em Olhar Digital.