O Museu de História Natural da Universidade de Oxford, no Reino Unido, vai enviar 62 fósseis brasileiros ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro. A doação representa uma nova etapa na reconstrução do acervo perdido no incêndio que destruiu grande parte da instituição em 2018.
As peças ficaram guardadas no exterior por décadas e incluem fósseis de peixes, insetos, algas e animais extintos. Algumas delas têm mais de 400 milhões de anos e ajudam a preservar parte da história da vida na Terra.

Fósseis de Oxford ajudam a reconstruir coleção brasileira
Segundo a BBC, a devolução dos materiais faz parte de uma mobilização internacional para apoiar a recuperação do Museu Nacional, uma das instituições científicas mais importantes do Brasil. Após o incêndio no Paço de São Cristóvão, mais de 80% do acervo foi perdido.
Antes de definir quais peças seriam enviadas, pesquisadores do museu britânico fizeram um levantamento dos fósseis brasileiros mantidos em Oxford. Foram encontrados 118 espécimes coletados em duas regiões do país: Paraná e Ceará.
A seleção dos materiais levou em conta quais fósseis poderiam retornar sem prejudicar pesquisas em andamento ou estudos científicos já vinculados à coleção britânica.
Entre os critérios utilizados estavam:
- fósseis que não estavam sendo usados atualmente em pesquisas;
- peças que não eram consideradas espécimes-tipo, usadas como referência em estudos científicos;
- materiais que poderiam voltar ao Brasil sem comprometer registros acadêmicos.
Peças preservam milhões de anos da história natural
Entre os fósseis que serão enviados ao Museu Nacional estão peixes preservados dentro de rochas, insetos fossilizados, algas e rastros deixados por animais que desapareceram há milhares ou milhões de anos.
Algumas peças têm mais de 400 milhões de anos, sendo mais antigas que os próprios dinossauros. Segundo Emma Nicholls, gerente de coleções do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, os materiais estão em excelente estado de conservação e poderão ajudar pesquisadores a entender melhor os ambientes onde esses organismos viveram.
“Foi algo que todos nós consideramos extremamente importante e que estamos com muita vontade de concretizar”, afirmou a paleontóloga sobre a colaboração com o Museu Nacional.
O que nós queremos é ajudar o Museu Nacional do Brasil, de uma forma singela e humilde.
Emma Nicholls, gerente de coleções do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, à BBC.

Solidariedade internacional mantém Museu Nacional vivo
O incêndio de 2018 deixou uma das maiores perdas da história científica brasileira. Segundo Ronaldo Fernandes, diretor do Museu Nacional, coleções inteiras foram destruídas, incluindo milhares de exemplares de insetos, peças de etnologia e parte importante da coleção egípcia.
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Desde então, instituições e pesquisadores de diferentes países passaram a contribuir com doações e iniciativas de recuperação. Para Fernandes, esse movimento mostra o reconhecimento internacional da importância do museu.
“É a solidariedade, é a noção de que o museu é uma coisa importante, essencial para compreender o país e educar o povo”, afirmou o diretor.
A expectativa é que a reconstrução completa do Museu Nacional continue nos próximos anos. Enquanto isso, doações como a de Oxford ajudam a devolver ao Brasil peças que fazem parte da memória científica do país.
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