Recentemente, o Centro Europeu para Pesquisa Nuclear (CERN) interrompeu as operações do Grande Colisor de Hádrons (LHC) para uma atualização planejada que deve durar cerca de quatro anos. A expectativa é que o equipamento volte a funcionar em 2030 com uma capacidade muito superior de geração de colisões entre partículas.
A modernização transformará o acelerador na versão High-Luminosity Large Hadron Collider (HiLumi LHC), projeto concebido para aumentar significativamente o volume de dados obtidos nos experimentos. A iniciativa busca ampliar as possibilidades de investigação sobre a estrutura fundamental do Universo.
Desde a descoberta do bóson de Higgs até estudos relacionados à matéria escura, à antimatéria e às primeiras fases do cosmos, os pesquisadores esperam que a nova etapa permita análises mais detalhadas e aumente a chance de observar fenômenos extremamente raros.
O LHC é o maior acelerador de partículas já construído e permite que cientistas reproduzam, em escala microscópica, condições semelhantes às que existiam instantes após o Big Bang. Com a atualização, os pesquisadores esperam ampliar significativamente a quantidade de dados obtidos nos experimentos, aumentando as chances de responder a questões ainda abertas sobre a composição e a evolução do Universo.
Atualização prepara nova fase para o maior acelerador de partículas

O desligamento marca o início da terceira grande interrupção programada das atividades do LHC desde que o acelerador entrou em operação. O período, identificado como Long Shutdown 3 (LS3), será dedicado à instalação de novos equipamentos e à substituição de componentes essenciais para elevar o desempenho da estrutura.
Segundo o projeto, a luminosidade do acelerador será multiplicada por dez em relação ao desenho original. Na prática, isso permitirá uma quantidade muito maior de colisões entre partículas, aumentando de forma expressiva o volume de informações disponíveis para análises científicas.
O responsável pelo projeto HiLumi LHC, Markus Zerlauth, afirmou que o desligamento representa o início de uma nova etapa para a instalação. “Este é um momento muito importante. A partir de agora, entraremos em uma nova fase“, explicou em declaração à Agence France-Presse.
O Grande Colisor de Hádrons realiza experimentos com prótons desde 2009 e se tornou um dos principais instrumentos da física de partículas. Entre seus resultados mais conhecidos está a participação decisiva na confirmação do bóson de Higgs, anunciada em 2012, descoberta que contribuiu para explicar como partículas fundamentais adquirem massa.

Esta não é a primeira vez que o equipamento passa por uma paralisação de longa duração. Entre 2013 e 2015 foram reforçadas conexões entre ímãs supercondutores e foi ampliada a energia dos feixes de prótons. Posteriormente, entre 2018 e 2022, outra etapa concentrou-se em substituições de equipamentos, melhorias técnicas e manutenção preventiva.
Conforme o CERN, a nova configuração permitirá produzir um número muito maior de eventos científicos relevantes. A previsão é de que o HiLumi LHC gere aproximadamente 380 milhões de bósons de Higgs ao longo de sua vida útil, quantidade muito superior ao total registrado até agora.
Esse crescimento na produção de dados poderá ajudar pesquisadores a investigar limitações do Modelo Padrão da física, que ainda não contempla explicações para componentes como a matéria escura e a energia escura, consideradas predominantes no Universo.
O diretor-geral do CERN, Mark Thomson, destacou que a atualização amplia as possibilidades de exploração científica. “É realmente uma oportunidade para explorar o Universo de uma maneira que ainda não fizemos“, disse em entrevista à revista New Scientist.
A dimensão das obras também exige uma ampla mobilização de profissionais. O coordenador do Long Shutdown 3, Jean-Philippe Tock, explicou que quilômetros de equipamentos serão substituídos e que milhares de engenheiros, físicos, técnicos e profissionais de apoio participarão dos trabalhos.
Mesmo sem novos experimentos durante o período de modernização, os pesquisadores continuarão estudando os dados acumulados nas campanhas anteriores. Paralelamente, tecnologias desenvolvidas para o acelerador seguem encontrando aplicações em áreas como equipamentos médicos, sensores e técnicas de restauração de obras de arte.
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