Jogo no site da Casa Branca simula ações na fronteira dos EUA

Jogo no site da Casa Branca simula ações na fronteira dos EUA

O governo de Donald Trump lançou um videogame que simula a deportação de imigrantes nos Estados Unidos. A ferramenta está disponível no site oficial da Casa Branca.

A ideia é promover aspectos da agenda do presidente de forma provocativa. A publicação gerou reações imediatas de grupos de direitos humanos, enquanto o governo defendeu a iniciativa como contraponto à chamada “visão socialista” dos democratas.

Donald Trump
A Casa Branca defendeu a coleção Arcade afirmando que os jogos representam um contraste com a visão dos opositores. – Imagem: lev radin/Shutterstock

Funcionamento do jogo no site da Casa Branca

Inspirado no clássico “jogo da cobrinha”, o título tem visual retrô e coloca o usuário no papel de Tom Homan, conhecido como o “czar da fronteira”. O objetivo é conduzir o personagem para reunir pessoas que atravessaram o Rio Grande, na fronteira com o México, e deportá-las.

O lançamento ocorre enquanto o governo americano intensifica seu programa de detenções e deportações em massa de imigrantes.

Coleção Arcade inclui mecânica no estilo Tetris

A novidade integra o Arcade, seção do site da Casa Branca com cinco jogos de baixa resolução voltados a diferentes aspectos da agenda de Trump.

Outra opção adapta a lógica do Tetris. Com o título “Proteja a fronteira da horda que se aproxima”, o jogo desafia o usuário a construir um muro na fronteira com o México, projeto promovido pelo presidente.

  • O jogo principal usa a mecânica da cobrinha para simular a captura e deportação de imigrantes.
  • A versão inspirada em Tetris coloca o usuário para construir o muro na fronteira mexicana.
  • O DHS afirmou ter detido quase 51 mil imigrantes sem documentos em agosto, número considerado recorde pelo departamento.

Reação de ONGs e posicionamento oficial

Grupos de direitos humanos criticaram rapidamente a iniciativa. Amérika García Grewal, codiretora da ONG Frontera Federation, sediada no Texas, condenou a transformação das ações do governo em entretenimento.

“Isso me dá nojo. Eles passam anos brincando com a vida das pessoas e agora fazem um videogame com suas ações”, declarou García Grewal à AFP.

“Quem o criou perdeu de vista o que significa ser humano e se importar com os outros”, acrescentou.

A Casa Branca defendeu a publicação. Em comunicado enviado à AFP, afirmou que o videogame “ressalta ainda mais o contraste entre uma cultura ‘divertida’ e ‘de sucesso’ e a visão socialista sombria que os democratas têm para os Estados Unidos”.

Bandeira da agência de imigração ICE dos EUA
O debate sobre os jogos digitais ocorre em meio ao endurecimento das fiscalizações e operações na fronteira americana. Imagem: chrisdorney/Shutterstock

Provocação nas redes e recorde de detenções

A iniciativa segue uma estratégia de comunicação que a Casa Branca emprega abertamente nas redes sociais: o “trolling”, prática de divulgar conteúdo provocador para gerar indignação e viralizar.

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O Departamento de Segurança Interna (DHS) também publicou recentemente um vídeo que mostra a deportação de imigrantes haitianos algemados, depois que Washington revogou um status que permitia a permanência legal deles no país. O material foi considerado degradante e racista por opositores de Trump.

Os videogames fazem parte de uma estratégia de comunicação cada vez mais provocativa da Casa Branca, em um momento de intensificação das detenções e deportações de imigrantes nos Estados Unidos.

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