O que as empresas esperam dos profissionais de tecnologia hoje

O que as empresas esperam dos profissionais de tecnologia hoje

O mercado de trabalho em tecnologia passa por uma mudança que vai além da adoção de novas ferramentas. A inteligência artificial (IA) entrou na rotina das empresas e passou a influenciar o perfil dos profissionais procurados, mas conhecimentos técnicos tradicionais continuam importantes. Ao mesmo tempo, características como capacidade de entrega, comunicação e entendimento do negócio ganharam peso.

Junte-se ao Clube Olhar Digital e tenha descontos exclusivos no Centro Universitário Impacta

Para entender o que as empresas estão buscando nesse cenário, o Olhar Digital conversou com Eduardo Endo, do Centro Universitário Impacta, Arthur Igreja e Lucas Gilbert – especialistas em tecnologia e inovação. As respostas mostram um mercado em que saber uma ferramenta específica pode ajudar no curto prazo, mas uma combinação de conhecimento técnico, IA e capacidade de resolver problemas tende a ser mais importante para construir uma carreira.

Mais de 100 cursos na área de tecnologia com desconto! Conheça o Clube Olhar Digital

IA passou a fazer parte da base esperada

A inteligência artificial é o ponto de maior convergência entre os especialistas. Endo compara a popularização da tecnologia ao que aconteceu com o Excel: se antes era necessário perguntar se um candidato sabia utilizar a ferramenta, cada vez mais as empresas partem do pressuposto de que ele já tem esse conhecimento.

IA está se tornando isso. Não importa qual área, não importa se é área de tecnologia ou qualquer área, todas as áreas estão priorizando conhecimento e inteligência artificial.

Eduardo Endo, da Impacta

Na área de tecnologia, porém, o conhecimento não se resume a saber utilizar um chatbot. Arthur Igreja destaca a capacidade de aplicar IA para produzir resultados em diferentes funções.

A questão da capacidade de aplicação da inteligência artificial e de alcançar resultados com isso. Seja na área de segurança, na área de desenvolvimento de software, na área de integração, quem tem expertise nisso está sendo muito procurado.

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação

Lucas Gilbert também identifica uma nova camada de conhecimentos relacionada à IA. Segundo ele, as vagas passaram a combinar a base técnica tradicional com habilidades que vão desde a interação com modelos até a construção de sistemas que utilizam inteligência artificial.

A vaga de tecnologia hoje pede três camadas ao mesmo tempo. A base continua sendo a mesma de sempre, programação em Python e banco de dados com SQL, que são o feijão com arroz que aparece em quase todo anúncio, mesmo os que falam de IA.

Lucas Gilbert, especialista em tecnologia

Para ele, a inteligência artificial entrou justamente como uma nova camada sobre essa base. “Em cima disso entrou uma camada nova, ligada diretamente à inteligência artificial, que vai de saber conversar bem com os modelos até construir sistemas que usam IA por baixo”, diz ele.

Clube Olhar Digital: junte-se à comunidade que mais entende de tecnologia no Brasil!

Conhecimento técnico ainda faz diferença

O crescimento da IA não eliminou a necessidade de conhecimentos fundamentais de tecnologia. Gilbert considera que programação e bancos de dados continuam sendo uma base importante para quem está entrando na área.

Eduardo Endo também chama atenção para o desenvolvimento de software. Na avaliação dele, o mercado deixou de viver um cenário em que qualquer desenvolvedor era disputado pelas empresas. “Hoje tem sobra de devs, só que dev bom tecnicamente é muito difícil”, destaca.

Ele também aponta computação em nuvem e cibersegurança entre as áreas que continuam apresentando demanda. Cloud, segundo Endo, segue como um mercado aquecido, enquanto a segurança ganha importância diante do crescimento dos crimes cibernéticos. “Um outro mercado que anda em paralelo com esse mercado de cloud é o mercado de cybersecurity.”

Cursos, newsletters e reportagens exclusivas! Assine o Clube Olhar Digital!

Já a área de dados, que esteve entre as mais procuradas nos últimos anos, teria perdido parte desse ritmo. Para Endo, a tecnologia passa por ciclos de demanda, e o avanço da IA alterou parte do trabalho que anteriormente era realizado diretamente por profissionais de dados.

Saber usar a tecnologia não basta

A mudança mais significativa, porém, pode estar naquilo que vem depois do conhecimento técnico. Os especialistas apontam que as empresas precisam de profissionais capazes de avaliar resultados, entender problemas e conectar tecnologia às necessidades do negócio.

Para Gilbert, uma das competências mais difíceis de encontrar atualmente é justamente essa capacidade de julgamento. “A mais escassa não é a mais técnica, curiosamente. É o julgamento”, destaca ele.

O profissional precisa saber avaliar aquilo que recebe de uma ferramenta de IA antes de transformar a resposta em uma decisão.

Sai muita gente sabendo apertar os botões, e pouca gente sabendo pensar em cima do resultado.

Lucas Gilbert, especialista em tecnologia

Essa combinação entre tecnologia e negócio também aparece na análise de Igreja. Para ele, competências relacionadas à governança da IA, identificação de riscos e oportunidades e gestão de custos devem ganhar espaço. O profissional também precisa conseguir integrar a tecnologia às diferentes áreas da empresa. “É esse profissional que, na verdade, é multidimensional.”

A comunicação entra nesse mesmo conjunto. Gilbert afirma que saber explicar uma ideia técnica de forma simples pode ser um diferencial justamente porque parte crescente do trabalho operacional pode ser auxiliada pela IA. “A parte técnica cada vez mais a IA ajuda a fazer, mas convencer, alinhar e liderar continua sendo coisa de gente.”

O valor da programação está mudando

A própria programação é um exemplo de como as competências não necessariamente desaparecem quando uma nova tecnologia surge. O trabalho repetitivo de escrever código perdeu parte do valor com a chegada de ferramentas capazes de gerar programas, mas isso não significa que saber programar deixou de ser importante. “Não é que a habilidade morreu, ela mudou de lugar”, explica Gilbert.

Na visão dele, o diferencial passa cada vez mais por saber definir o que precisa ser construído, orientar a IA, revisar o código produzido e avaliar se o resultado realmente funciona.

Cursos, newsletters e reportagens exclusivas! Assine o Clube Olhar Digital!

Endo identifica uma mudança semelhante na relação das empresas com os profissionais. Para ele, além da capacidade técnica, existe uma característica que pode pesar bastante no cotidiano: a capacidade de entregar.

Eu sinto que, de fato, muitas pessoas não têm essa competência de entrega, a competência do compromisso.

Eduardo Endo, da Impacta

Isso significa que o mercado de tecnologia não está apenas procurando pessoas que conheçam as ferramentas mais recentes. A demanda apontada pelos especialistas combina conhecimento técnico, domínio da inteligência artificial e capacidade de aplicar esse conhecimento para resolver problemas reais, além de características como julgamento, comunicação e capacidade de entrega.

Mais de 100 cursos na área de tecnologia com desconto! Conheça o Clube Olhar Digital

O post O que as empresas esperam dos profissionais de tecnologia hoje apareceu primeiro em Olhar Digital.