Rússia nega surto de peste pneumônica após morte em laboratório

Rússia nega surto de peste pneumônica após morte em laboratório

A Rússia negou nesta quarta-feira (7) relatos falsos sobre a morte de uma funcionária de um instituto de pesquisa da peste na Sibéria e afirmou ter informado a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o caso.

O episódio ocorreu na semana passada e levou dezenas de pessoas a uma quarentena na região de Irkutsk. Segundo a agência sanitária russa, nenhum caso de peste foi identificado entre os contatos da funcionária.

Fotomicrografia de uma amostra humana obtida de um paciente com peste, revelando numerosas bactérias em forma de bastonete, Yersinia pestis.
A peste pneumônica é causada pela bactéria Yersinia pestis e pode ser transmitida pelo ar. – Imagem: CDC/ Dr. M. Moody

Rússia contesta relatos sobre o episódio

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que muitas reportagens sobre a morte são falsas e orientou a população a confiar nas informações divulgadas pela Rospotrebnadzor, agência estatal de vigilância sanitária.

A declaração ocorreu após um jornalista questionar Peskov sobre uma reportagem da ABC News. Segundo a publicação, os Estados Unidos teriam apresentado uma queixa diplomática formal contra a maneira como Moscou conduziu o caso e pedido mais transparência.

A movimentação das autoridades russas incluiu o envio do chefe da Rospotrebnadzor para a região de Irkutsk. Na terça-feira (6), a agência informou que nenhum caso da doença havia sido detectado entre as pessoas que tiveram contato com a funcionária.

O órgão também desmentiu um documento que circulava na internet sobre um suposto endurecimento das medidas sanitárias e epidemiológicas e das restrições na região.

“O documento e as informações em questão não provêm de fontes oficiais e são falsos”, afirmou a Rospotrebnadzor no Telegram.

Entre os pontos que a agência classificou como falsos estão:

  • a autenticidade de um documento atribuído às autoridades;
  • supostas mudanças nas medidas sanitárias e epidemiológicas;
  • alegações sobre novas restrições na região de Irkutsk;
  • informações que contradizem o balanço oficial sobre os contatos da funcionária.

EUA e União Europeia cobram transparência

Enquanto Moscou rejeita os relatos que considera falsos, os Estados Unidos adotaram uma postura mais cautelosa. Na terça-feira, a embaixada americana recomendou que cidadãos dos EUA que estejam na Rússia deixem o país “imediatamente”.

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Antes do anúncio, Donald Trump havia dito que pretendia ligar para Vladimir Putin para conversar sobre o caso. Peskov afirmou, porém, que nenhuma conversa entre os dois presidentes estava agendada.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse acompanhar a situação “muito de perto” e pediu que a Rússia fornecesse mais informações sobre a morte.

A União Europeia também cobrou transparência nesta quarta-feira. Para o bloco, é importante obter dados confiáveis para avaliar a situação.

“Acreditamos que é necessário obter resultados epidemiológicos e microbiológicos confiáveis. Estamos acompanhando a situação de perto”, afirmou Eva Hrncirova, porta-voz da Comissão Europeia.

Tubo de ensaio com amostra de peste pneumônica, mãos de médico com luvas azuis, uniforme médico e jaleco branco, fundo de laboratório, close-up; conceito de saúde, medicina e ciência.
A peste pneumônica atinge os pulmões, é altamente contagiosa e pode ser transmitida por gotículas. – Imagem: Pietukhova/Shutterstock

O que é a peste pneumônica?

A peste pneumônica é uma infecção que atinge os pulmões e pode ser fatal, segundo a OMS. Ela é altamente contagiosa e pode ser transmitida por gotículas.

A doença é diferente da peste bubônica, que afeta os gânglios linfáticos e é transmitida por pulgas infectadas.

Até o momento, a Rospotrebnadzor afirma que nenhum caso de peste foi identificado entre as pessoas que tiveram contato com a funcionária. A situação segue sob acompanhamento das autoridades russas e de governos estrangeiros.

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