Depois que o eleitor confirma o voto na urna eletrônica, os dados da votação são registrados e, ao fim do processo, passam por etapas de conferência e transmissão até chegar à totalização dos resultados. Mas isso não significa que seja possível descobrir em quem uma pessoa específica votou.
O sigilo é preservado justamente pela forma como os votos são registrados digitalmente na urna.
Como funciona o registro digital do voto
- O Registro Digital do Voto (RDV) é o arquivo no qual os votos são armazenados. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cada voto é gravado em uma posição aleatória do arquivo;
- O mecanismo impede que os votos sejam relacionados à ordem em que os eleitores compareceram à seção eleitoral;
- Além disso, o voto de cada cargo é armazenado em uma posição diferente. Dessa forma, não é possível associar os votos entre si nem relacioná-los à sequência de comparecimento dos eleitores;
- O TSE compara esse funcionamento ao de uma urna de lona tradicional. Nas urnas de papel, as cédulas ficam embaralhadas, impossibilitando vincular cada uma delas a determinado eleitor;
- No registro digital, o princípio é semelhante: embora os votos sejam armazenados eletronicamente, a posição aleatória de cada registro impede estabelecer uma relação entre o eleitor e o voto.
O que acontece depois que a votação termina?
Às 17h, no horário de Brasília, a votação é oficialmente encerrada. Quem ainda estiver na fila nesse momento, porém, tem direito de votar. A seção eleitoral só é encerrada depois que todos os eleitores que receberam senha terminam a votação.
Depois disso, a urna eletrônica apura os votos daquela seção e imprime o Boletim de Urna (BU), documento que apresenta o resultado da votação, incluindo os votos destinados a cada candidatura e legenda e o número de eleitores que compareceram.

Na sequência, a mídia de resultado, dispositivo removível que armazena os dados da votação, é retirada da urna e encaminhada às juntas eleitorais. Os dados são então transmitidos aos sistemas da Justiça Eleitoral.
A urna eletrônica não possui conexão com a internet nem com outras redes de dados. Por isso, a transmissão utiliza uma rede de comunicação específica para essa finalidade.
A mídia de resultado contém o Boletim de Urna em formato digital, com os votos atribuídos a cada candidatura e legenda, sem qualquer relação entre o eleitor e o voto. O arquivo também informa a seção eleitoral e a urna que produziram o boletim, além do número de eleitores que compareceram e votaram.
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Dados são conferidos antes da totalização
Antes de os resultados serem incorporados à totalização, os sistemas da Justiça Eleitoral verificam a autenticidade e a integridade dos arquivos.
Uma dessas etapas envolve a conferência da assinatura digital, que confirma que o resultado foi produzido pela urna eletrônica cadastrada para aquela seção.
Após as verificações, os resultados são incorporados à totalização. O TSE divulga tanto o resultado consolidado quanto os dados de cada seção eleitoral, permitindo conferir os resultados que formam a totalização.
Assim, existe um registro digital dos votos, mas ele não funciona como uma lista capaz de mostrar qual eleitor escolheu cada candidatura. A forma como os votos são armazenados no RDV impede a associação entre o voto e a identidade ou a ordem de comparecimento do eleitor.
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