Após anunciar que iria focar sua produção de armazenamento e memórias para o mercado de IA, a Micron concedeu sua primeira entrevista depois dessa reformulação. Ao site Wccftech, a companhia explicou que “a percepção do público” pode não ser correta, e a marca apenas deseja preencher esse mercado empresarial.
O responsável pelas falas foi o vice-presidente de marketing, mobile e da unidade de clientes executivos da Micron, Christopher Moore. “Primeiramente, gostaria de tentar ajudar a todos a entender que essa percepção pode não ser exatamente correta, pelo menos do nosso ponto de vista. Eu jamais diria a alguém o que pensar ou que está errado, mas o nosso ponto de vista é que estamos tentando ajudar os consumidores em todo o mundo. Só que fazemos isso por meio de canais diferentes”, explicou.
Segundo o executivo, a companhia ainda continua ativa tecnicamente para atender ao mercado consumidor através do fornecimento de chips LPDDR5 para integradoras, como Dell e Asus. Todavia, a companhia fez com que sua subsidiária mais famosa, a Crucial, deixasse de existir, criando uma lacuna no mercado.

Mesmo assim, Moore salienta que a Micron está em contato “com cada marca de PCs por aí”. O VP de marketing entende que a companhia está saindo de um formato ligado diretamente ao consumidor, para um sistema que se conecta diretamente com empresas, ou seja, uma transição do B2C para B2B.
IA oferece mais margem de lucro
A motivação da Micron em migrar para o mercado empresarial é clara, dada a expansão das IAs e maior demanda por memórias de alta velocidade para data centers. Chips para servidores de IA custam muito mais caro e oferecem margens maiores do que pentes de memória vendidos individualmente para usuários domésticos.
- A empresa agora entende que não compensa mais fechar grandes contratos para o mercado consumidor;
- Dada sua capacidade de produção limitada, a empresa escolheu por fabricar os chips que dariam o maior retorno financeiro em curto e médio prazo;
- Retirar a Crucial de operação liberou um espaço essencial para atender esses clientes que solicitam chips para IA;
- Um alerta dado por Moore é que as novas fábricas da Micron não terão impacto real na oferta de memórias até 2028;
- A companhia anunciou um investimento massivo nessas instalações, que chega até R$ 540 bilhões em Idaho e Nova York, nos Estados Unidos;
- Isso é um claro indicativo que a crise de chips RAM deve perdurar por um bom tempo, e tende a crescer cada vez mais.
Moore reitera que o momento é dos data centers, e que o mercado empresarial está crescendo como nunca. “O mercado endereçável total (TAM) para empresas ou data centers está crescendo, passando de 30% a 35% para 40% e agora para 50% a 60% do mercado total, o que exige mais recursos do que antes. E todo o setor está com falta de capacidade. Então, acho que isso é algo que as pessoas precisam entender”, aponta o executivo da Micron.
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