O Linux precisa de mais uma loja de aplicativos? Os devs do Bazaar acreditam que sim

O Linux precisa de mais uma loja de aplicativos? Os devs do Bazaar acreditam que sim

Quando o assunto é loja de aplicativos no Linux, opções não faltam. No GNOME, costuma entrar em cena a GNOME Software; no KDE Plasma, é a Discover; o Linux Mint tem a própria loja; o Pop!_Shop atende o Pop!_OS; o elementary OS tem o seu AppCenter… sem contar quem ignora tudo isso e instala absolutamente tudo via terminal.

Com tanta alternativa assim, qualquer anúncio de “nova loja de apps para Linux” já nasce com uma pergunta colada: pra quê? Só que, em meio a esse mar de opções, um grupo de desenvolvedores decidiu criar mais uma — e com uma proposta bem específica: ser uma loja exclusiva para flatpak e com foco no GNOME. O nome dela é Bazaar. Isso resolve algum problema real ou só adiciona mais um ícone na gaveta de apps?

Bazaar: uma loja pensada para o flatpak

O Bazaar é descrito pelos próprios devs como “uma nova app store para o GNOME com foco em descobrir e instalar aplicações e add-ons a partir de repositórios flatpak, especialmente o Flathub”. Ou seja: ele não tenta ser um gerenciador universal de pacotes. Nada de .deb, .rpm, Snap ou AppImage. A proposta é:

  • Só flatpak;
  • Principalmente Flathub;
  • Interface alinhada às diretrizes de design do GNOME.

Isso, por si só, já muda um pouco o jogo. Em vez de ser uma loja genérica com suporte “também a flatpak”, o Bazaar abraça totalmente esse formato, algo que faz bastante sentido em distros que tratam flatpak como o principal meio de distribuir software, especialmente as imutáveis.

Ele já está disponível no Flathub, bastando ter suporte a flatpak configurado para instalar, algo que já vem nativo em muitas distros. Algumas distros, como Bazzite e Bluefin/Bluefin (derivadas de Fedora imutável), já adotaram o Bazaar como loja padrão, justamente por esse casamento forte com o ecossistema flatpak.

Como instalar o Bazaar

Se você estiver usando uma distro que já vem com ele, como o Bazzite, focado em jogos, não precisa fazer nada: o ícone já estará lá no menu. Mas, se quiser testar em outro sistema, o caminho é simples:

  • Certifique-se de que o flatpak e o Flathub estão configurados no sistema;
  • Abra a loja que você já usa (GNOME Software, Discover, loja do Mint etc.);
  • Pesquise por “Bazaar”;
  • Clique em Instalar.

Se preferir, também é possível instalar via terminal, pegando o comando diretamente na página do app no Flathub. Depois disso, o Bazaar aparece como qualquer outro aplicativo gráfico, pronto para ser aberto e testado.

Interface familiar para quem usa GNOME Software

Ao abrir o Bazaar, a sensação é de déjà-vu: visual limpo, layout em colunas, cards grandes com ícones e descrições. Ele lembra bastante a GNOME Software, só que com algumas decisões diferentes.

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Na parte superior, o app costuma organizar tudo em três áreas principais:

  • Flathub – listagem geral de apps do repositório;
  • Curated/Recommended – uma aba “curada” que cada distro pode personalizar;
  • Installed – a lista de apps flatpak já instalados.

Essa aba “curated” é um dos diferenciais: As distros podem destacar apps específicos para o seu público. Um sistema gamer, por exemplo, pode criar uma vitrine com Lutris, Bottles, Steam, Heroic e afins; uma distro voltada a criação de conteúdo pode priorizar Kdenlive, OBS Studio, GIMP, Krita, Tenacity e por aí vai.

Se a distro não faz nenhuma personalização (como no caso de um Fedora “puro”), essa área fica desativada. Mas em sistemas que abraçam a loja como parte da experiência, essa aba vira uma espécie de “prateleira oficial” da distro dentro do universo flatpak.

Detalhes dos apps e foco em extensões

Na página de cada aplicativo, o Bazaar mostra tudo o que se espera de uma boa loja:

  • Nome, ícone e desenvolvedor;
  • Tamanho do download;
  • Se é software livre ou proprietário;
  • Plataforma (desktop, mobile, ambos);
  • Classificação etária;
  • Número médio de downloads mensais;
  • Capturas de tela;
  • Histórico de versões e notas de atualização;
  • Links para site oficial, página no Flathub, bug tracker, doações etc.
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Ao instalar um app como o GIMP ou o OBS Studio, aparece um extra bem interessante: o botão de “Gerenciar extensões”. Nem todos os apps têm isso, mas os que suportam add-ons mostram, numa tela separada, plugins e extensões que podem ser instalados com um clique. Em vez de sair caçando plugin em site externo, você consegue ampliar a função do app dentro da própria loja.

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Para quem vive ajustando pipeline criativo ou stack de streaming, isso é um baita ganho de praticidade.

Preferências e detalhes

Nas configurações, o Bazaar oferece algumas opções que mostram como ele foi pensado para públicos diferentes:

  • Mostrar apenas software livre – ideal para quem quer evitar apps proprietários como Discord ou Spotify;
  • Mostrar apenas apps do Flathub – caso você tenha outros remotes configurados e queira se limitar ao principal;
  • Atrasar resultados da pesquisa – reduz a carga no sistema em máquinas mais simples, esperando uma breve pausa antes de buscar;
  • Tem ainda ajustes cosméticos, como personalizar a cor da barra de progresso.

Do ponto de vista técnico, o app é multi-threaded e mantém a interface desacoplada do backend; você consegue enfileirar vários downloads e continuar navegando na loja sem travamentos, e até fechar a janela sem interromper o processo, já que ele roda como serviço em segundo plano.

E aí, o Linux precisa MESMO de mais uma loja?

Chegamos ao ponto central da discussão. Sim, o Bazaar é muito bem feito. Ele é rápido, bonito, segue o visual do GNOME, lida muito bem com filas de download, trabalha exclusivamente com flatpak e ainda oferece recursos legais como a aba “curated” e o gerenciamento de extensões.

Mas isso significa que você deveria abandonar a GNOME Software, a Discover ou a loja do Mint só para usar o Bazaar? Na prática, não necessariamente.

Se a sua distro já tem uma loja integrada que lida bem com flatpak, resolve updates do sistema e já faz parte do fluxo que você conhece, mudar só por mudar talvez não traga um ganho real. O Bazaar não substitui o gerenciador de pacotes tradicional; ele é uma camada focada nos flatpaks. Para muita gente, isso acaba soando como “mais um app de loja” na vida.

Agora, em outros cenários, ele faz muito sentido:

  • Distros imutáveis onde flatpak é o principal meio de instalar software;
  • Sistemas baseados no GNOME que querem um visual unificado e uma vitrine de apps curada para seu público;
  • Usuários que já vivem em cima do Flathub e preferem uma experiência bem otimizada para isso.

Se você já está rodando algo como o Bazzite, por exemplo, e ele vem com o Bazaar como loja padrão, dificilmente vai sentir falta da GNOME Software ou da Discover no dia a dia.

Quer conhecer melhor o Bazzite? Confira a nossa review!