Cientistas encontram molécula capaz de turbinar reparo dos músculos idosos

Cientistas encontram molécula capaz de turbinar reparo dos músculos idosos

Pesquisadores da Universidade de Kyushu, no Japão, identificaram um composto antioxidante que pode ajudar a preservar a capacidade de regeneração dos músculos com o avanço da idade. O estudo analisou como uma molécula chamada LASSS atua sobre uma proteína essencial para o reparo muscular.

A pesquisa, publicada em julho deste ano na revista Scientific Reports, investigou o impacto do envelhecimento sobre o fator de crescimento de hepatócitos, conhecido pela sigla HGF. A proteína sofre alterações químicas ao longo dos anos, o que reduz sua eficiência no processo de recuperação muscular.

Os cientistas avaliaram dois compostos à base de enxofre e descobriram que o LASSS conseguiu não apenas impedir danos provocados por um processo chamado nitração, mas também aumentar a capacidade de ligação do HGF com células envolvidas na regeneração dos tecidos.

Antioxidante altera comportamento de proteína ligada à recuperação muscular

Imagem: PeopleImages.com – Yuri A/Shutterstock

O trabalho partiu da observação de que a perda de força e massa muscular associada ao envelhecimento não ocorre necessariamente porque o organismo deixa de produzir HGF. O problema está no fato de que a proteína pode sofrer modificações químicas que prejudicam sua função.

Essa alteração, chamada nitração, compromete o sinal enviado pelo HGF às células responsáveis pela reconstrução muscular. A equipe japonesa buscou uma forma de proteger a proteína desse desgaste usando antioxidantes capazes de interromper reações químicas prejudiciais.

Os pesquisadores escolheram dois compostos com três átomos de enxofre ligados em sequência: o glutathione trisulfide, conhecido como GSSSG, e o lipoic acid trisulfide, chamado LASSS. Ambos apresentaram capacidade de reduzir a nitração em pontos vulneráveis do HGF.

(Imagem: PeopleImages.com – Yuri A / Shutterstock.com)

Apesar desse resultado inicial, apenas bloquear o dano químico não foi suficiente para recuperar totalmente a interação entre a proteína e as células de reparo muscular. A diferença apareceu quando os cientistas aumentaram a concentração dos compostos analisados.

Nesse cenário, o LASSS apresentou um efeito mais expressivo. Além de impedir a alteração prejudicial do HGF, o composto elevou em duas vezes a eficiência da proteína em se conectar ao receptor c-met, uma estrutura celular importante para os processos de regeneração muscular.

A equipe considera que o resultado pode indicar uma ação além da simples proteção antioxidante. A hipótese levantada pelos pesquisadores é que o LASSS também consiga interagir diretamente com o HGF, provocando uma mudança estrutural capaz de tornar a proteína mais eficiente e resistente.

Os testes seguintes foram realizados em modelos de camundongos com atrofia muscular. Os experimentos indicaram que o composto reduziu a nitração provocada pela falta de uso dos músculos, um efeito que ainda precisa ser confirmado em tecidos humanos.

A descoberta é considerada uma possibilidade futura para combater a sarcopenia, nome dado à perda muscular relacionada à idade. Essa condição pode começar a surgir a partir dos 30 anos e tende a avançar com maior velocidade depois dos 60, aumentando dificuldades de locomoção e riscos de quedas.

Ainda serão necessários estudos mais longos para avaliar os efeitos do LASSS em animais idosos e, posteriormente, verificar sua aplicação em humanos. Os pesquisadores apontam que a estratégia também pode ter utilidade em outros quadros de perda muscular, como situações associadas a doenças prolongadas.

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