As versões LTS do Ubuntu sempre foram sinônimo de estabilidade de longo prazo. Até o início dessa semana, isso queria dizer 5 anos de suporte padrão mais 5 anos de segurança extra via Ubuntu Pro, no total, 10 anos de atualizações. Agora a Canonical deu mais um passo: versões LTS podem chegar a 15 anos de suporte com a expansão do add-on Legacy para 5 anos.
Na prática, isso coloca o Ubuntu ainda mais forte no jogo de servidores, dispositivos embarcados, infra crítica e cenários altamente regulados, em que atualizar o sistema operacional não é tão simples quanto mandar um do-release-upgrade e seguir a vida.
Como ficou o ciclo de vida do Ubuntu LTS agora?
Com a mudança, o esquema oficial passa a ser assim:
- Suporte padrão: 5 anos (atualizações e correções de segurança do repositório Main);
- Ubuntu Pro / ESM: +5 anos (cobre Main e Universe);
- Legacy add-on (Ubuntu Pro): +5 anos extras.
Total: até 15 anos de correções de segurança e manutenção.
O primeiro beneficiado é o Ubuntu 14.04 LTS (Trusty Tahr), lançado em 2014 e agora suportado até abril de 2029, virando o LTS mais longevo da história da distro até então. Outras LTS (16.04, 18.04, 20.04, 22.04, 24.04…) passam a ser elegíveis para o Legacy quando completarem 10 anos de vida.
Para quem esse suporte estendido faz sentido?
Segundo a Canonical, o alvo são empresas e setores que não podem simplesmente atualizar tudo a cada poucos anos, como bancos, telecom, indústria, governo, saúde, embarcados, etc.
Alguns motivos para permanecer em versões tão antigas incluem:
- Regulação pesada: mudar de versão exige recertificação, auditorias e um monte de papelada;
- Hardware dedicado: equipamentos caros, certificados para um SO específico;
- Risco operacional: desligar ou migrar um sistema pode custar muito mais caro do que pagar por suporte prolongado.
Nesses casos, ter 15 anos de janelas de atualização dá fôlego para planejar migrações com calma, testar tudo e seguir conforme normas de segurança e compliance.
E o usuário doméstico, ganha o quê?
Aqui vem o detalhe importante:
- O Ubuntu Pro é gratuito para uso pessoal em até 5 máquinas, garantindo os 10 anos de cobertura (5 + 5);
- O add-on Legacy é pago e precisa ser habilitado via time comercial da Canonical; a própria documentação foca em clientes corporativos.
Ou seja: para uso de desktop em casa, o impacto direto é pequeno, senão nulo. Os 10 anos de suporte com Ubuntu Pro já são mais do que suficientes para a maioria das pessoas, que normalmente troca de versão (ou até de distro) bem antes disso.
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